- Desde janeiro, os Estados Unidos não impuseram novas sanções à Rússia após a invasão da Ucrânia.
- A falta de novas restrições permitiu que empresas de fachada fornecessem componentes críticos ao Kremlin, como chips de computador.
- Mais de 130 empresas estão vendendo chips essenciais para a Rússia, incluindo componentes usados em mísseis.
- A União Europeia assumiu a liderança nas sanções, mas suas medidas são menos abrangentes que as dos Estados Unidos.
- Um projeto de lei em discussão no Congresso dos Estados Unidos propõe tarifas severas a países que mantêm relações comerciais com a Rússia.
Desde que Donald Trump reassumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro, o país não impôs novas sanções à Rússia em resposta à invasão da Ucrânia. Essa mudança de postura permitiu que empresas de fachada fornecessem componentes críticos, como chips de computador, ao Kremlin, segundo analistas.
As sanções, que foram uma ferramenta central para isolar Moscou após a invasão em fevereiro de 2022, perderam eficácia sem novas restrições. Durante o governo de Joe Biden, mais de 6,2 mil sanções foram aplicadas, com uma média de 170 novas restrições mensais. No entanto, a ausência de novas medidas sob Trump abre espaço para que empresas não sancionadas, especialmente na China e em Hong Kong, vendam materiais restritos à Rússia.
Uma investigação do New York Times revelou que mais de 130 empresas estão ativamente vendendo chips essenciais para a Rússia, incluindo componentes utilizados em mísseis. A HK GST Limited, uma dessas empresas, foi registrada há apenas nove meses e já está ligada a uma rede de distribuidores que violam os controles de exportação dos EUA.
Efeitos das Sanções
A falta de novas sanções está permitindo que a Rússia se reestruture e encontre alternativas para contornar as restrições. Elina Ribakova, economista do Peterson Institute for International Economics, destacou que é necessário um esforço contínuo para que as sanções sejam eficazes. Sem isso, soluções alternativas para o Kremlin podem se consolidar.
A abordagem de Trump em relação à Rússia, que inclui o relaxamento de algumas restrições, gerou críticas bipartidárias. Parlamentares argumentam que essa postura mina os esforços ocidentais para enfrentar a agressão russa. Em resposta, um porta-voz da Casa Branca afirmou que Trump busca incentivar um diálogo entre líderes da Rússia e da Ucrânia.
Mudanças na Liderança das Sanções
Com a retração dos EUA, a União Europeia passou a liderar a imposição de sanções, embora suas medidas sejam menos abrangentes. O número de sanções dos EUA ainda supera o da UE em mais de duas vezes, mas essa diferença pode estar diminuindo. Membros do Congresso estão pressionando por novas legislações que visam impor tarifas severas a países que continuem comprando energia russa.
Um projeto de lei em discussão, co-patrocinado pelos senadores Lindsey Graham e Richard Blumenthal, propõe uma tarifa de 500% sobre países que mantêm relações comerciais com a Rússia. Blumenthal, após uma visita a Kiev, enfatizou a necessidade de apoio contínuo aos ucranianos, que enfrentam um desequilíbrio em recursos e armamentos.
Entre na conversa da comunidade