- O Dalai Lama afirmou que a instituição do Dalai Lama continuará após sua morte, sem interferência da China.
- A declaração foi feita em um evento em Dharamshala, Índia, durante as celebrações de seu 90º aniversário.
- O líder espiritual destacou que seu sucessor deve ser escolhido segundo tradições budistas e supervisionado pelo Gaden Phodrang Trust, que ele fundou.
- A sucessão é um tema sensível, pois muitos tibetanos temem que a China tente nomear um sucessor próprio.
- O Dalai Lama já mencionou que seu sucessor deve nascer fora da China, reforçando a importância da escolha pela comunidade tibetana.
O Dalai Lama, líder espiritual tibetano, anunciou que a instituição do Dalai Lama continuará após sua morte, desafiando a interferência da China no processo de sucessão. A declaração foi feita em um evento em Dharamshala, Índia, durante as celebrações de seu 90º aniversário, que ocorrerá em 6 de julho.
O Dalai Lama, que vive no exílio desde 1959, afirmou que a escolha de seu sucessor deve seguir as tradições budistas e ser conduzida pelo Gaden Phodrang Trust, organização que fundou para supervisionar questões relacionadas à sua autoridade. “Ninguém mais tem autoridade para interferir neste assunto”, destacou.
A sucessão do Dalai Lama é um tema sensível para os tibetanos, que temem a possibilidade de a China tentar nomear um sucessor próprio. O governo chinês já declarou que a reencarnação deve ser aprovada por eles, o que gerou preocupações sobre a legitimidade de qualquer candidato que não seja reconhecido pelo Dalai Lama.
Tensão com a China
A posição do Dalai Lama contrasta com a insistência de Pequim, que considera o líder espiritual um separatista. A China defende que a reencarnação deve seguir um processo estabelecido por suas autoridades, incluindo o uso de uma urna dourada para selecionar nomes de possíveis sucessores.
O Dalai Lama já havia mencionado que seu sucessor deve nascer fora da China, reforçando a ideia de que a escolha deve ser feita pela comunidade tibetana. “A instituição do Dalai Lama continuará”, afirmou, enfatizando a importância da preservação da cultura tibetana.
A declaração foi recebida com alívio por muitos tibetanos, que veem a continuidade da instituição como essencial para a luta pela autonomia do Tibete. O presidente do governo tibetano no exílio, Penpa Tsering, afirmou que a posição do Dalai Lama deve ser mantida “para o benefício de todos os seres sencientes”.
Futuro da Sucessão
O processo de identificação do próximo Dalai Lama, segundo a tradição, começa apenas após a morte do atual líder. Historicamente, a escolha é feita por monges seniores, com base em sinais espirituais. A possibilidade de surgirem dois Dalai Lamas, um reconhecido pelo exílio tibetano e outro pela China, é uma preocupação crescente.
O Dalai Lama, que se tornou um símbolo global da paz e defensor da autonomia tibetana, reafirmou que a escolha de seu sucessor deve ser feita sem a interferência de autoridades que não respeitam a religião. A luta pela sucessão é, portanto, não apenas religiosa, mas também política, refletindo a complexa relação entre o Tibete e a China.
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