- A Argentina, sob a presidência de Javier Milei, propôs uma declaração sobre a Venezuela na cúpula do Mercosul em Buenos Aires, marcada para amanhã.
- O texto pode ser divulgado separadamente devido à falta de consenso entre os países membros, que incluem Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
- As divergências refletem tensões internas, com Argentina e Paraguai em posições opostas a Brasil, Uruguai e Bolívia.
- A Argentina também busca apoio para criar uma agência de combate ao crime organizado, mas enfrenta resistência do Brasil em relação a direitos humanos.
- O Brasil pretende retomar discussões sobre mudanças climáticas, um tema que a Argentina evita, evidenciando as fissuras no Mercosul.
Na cúpula de chefes de Estado do Mercosul, que ocorre amanhã em Buenos Aires, a Argentina, sob a liderança de Javier Milei, propôs uma declaração contundente sobre a situação na Venezuela. Fontes oficiais confirmaram que o texto pode ser divulgado separadamente, devido à falta de consenso entre os membros do bloco, que inclui Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
As divergências sobre a Venezuela refletem as tensões internas do Mercosul, onde Argentina e Paraguai formam um grupo com posições ideológicas opostas a Brasil, Uruguai e Bolívia. Apesar disso, a plataforma comercial do Mercosul continua sendo vista como vantajosa em um cenário global instável. A presidência de Milei priorizou temas como comércio e segurança, deixando de lado questões sociais e ambientais.
A Argentina também busca apoio para a criação de uma agência de combate ao crime organizado, proposta discutida em uma reunião de ministros em junho. Embora o Brasil tenha manifestado apoio, há preocupações sobre a metodologia da agência, especialmente em relação ao respeito aos direitos humanos. O governo brasileiro não deseja que a iniciativa siga o modelo de El Salvador, que tem sido criticado por violações de direitos.
Durante sua presidência, a Argentina focou na agenda externa do bloco, destacando o acordo entre Mercosul e União Europeia e a flexibilização da Tarifa Externa Comum (TEC). A expectativa é que o acordo sobre a TEC seja selado na cúpula, aliviando preocupações sobre a permanência da Argentina no Mercosul. Contudo, as tensões com o Paraguai e as divergências sobre a agenda social permanecem.
O Brasil, ao assumir a presidência pro tempore, pretende retomar discussões sobre mudanças climáticas, um tema que Milei evita. A relação entre Brasil e Paraguai também é tensa, com declarações fortes do presidente paraguaio, Santiago Peña, relembrando a Guerra do Paraguai. As fissuras no Mercosul são evidentes, e a continuidade do bloco em meio a essas divergências é incerta.
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