- Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) menciona mais de sessenta empresas, incluindo fabricantes de armas e tecnologia, por apoiar assentamentos israelenses e operações militares em Gaza.
- A especialista da ONU, Francesca Albanese, descreve essas ações como parte de uma “campanha genocida”.
- O relatório foi baseado em mais de duzentas contribuições de Estados, defensores de direitos humanos e acadêmicos.
- A missão de Israel na ONU rejeitou as alegações, considerando o relatório “juridicamente infundado”.
- O documento será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que pode influenciar processos judiciais internacionais.
Uma especialista da ONU, Francesca Albanese, divulgou um relatório que menciona mais de 60 empresas, incluindo grandes fabricantes de armas e tecnologia, por seu papel no apoio aos assentamentos israelenses e às operações militares em Gaza. O documento, publicado nesta segunda-feira (30), descreve essas ações como parte de uma “campanha genocida”.
O relatório foi elaborado com base em mais de 200 contribuições de Estados, defensores de direitos humanos e acadêmicos. Albanese pede que as empresas interrompam suas relações comerciais com Israel e que os executivos envolvidos em violações do direito internacional sejam responsabilizados. Ela afirma que o genocídio em Gaza é lucrativo para muitos.
A missão de Israel na ONU rejeitou as alegações, considerando o relatório “juridicamente infundado” e um abuso de poder. O governo israelense argumenta que suas ações são uma resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou em 1.200 mortes e 251 reféns. Desde então, mais de 56 mil pessoas morreram em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local.
Empresas Citadas
O relatório agrupa as empresas por setor, mas não esclarece sempre suas ligações com os assentamentos ou a guerra. Entre as citadas estão Lockheed Martin e Leonardo, que fornecem armamentos usados em Gaza. Também são mencionadas Caterpillar Inc e HD Hyundai, cujos equipamentos contribuíram para a destruição de propriedades palestinas.
Empresas de tecnologia como Alphabet, Amazon, Microsoft e IBM foram destacadas por seu papel no aparelho de vigilância de Israel. A Alphabet defendeu seu contrato de US$ 1,2 bilhão com o governo israelense, afirmando que não é destinado a operações militares.
Repercussões e Próximos Passos
O relatório amplia um banco de dados anterior da ONU sobre empresas ligadas aos assentamentos israelenses e será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU na quinta-feira (3). Embora o Conselho não tenha poderes vinculativos, suas investigações podem influenciar processos judiciais internacionais.
Israel e os Estados Unidos se retiraram do Conselho no início deste ano, alegando falta de imparcialidade. O relatório de Albanese destaca a intersecção entre negócios e conflitos, evidenciando a complexidade da situação em Gaza e as implicações para os direitos humanos.
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