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Irã pode iniciar enriquecimento de urânio para armas nucleares em meses, alerta AIEA

Irã pode reiniciar enriquecimento de urânio em meses, desafiando ações de EUA e Israel e intensificando tensões regionais.

Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, em visita ao Brasil (Foto: Brenno Carvalho)
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O Irã pode voltar a enriquecer urânio em poucos meses, segundo Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica. Ele afirmou que, apesar dos danos causados por ataques dos EUA e Israel a instalações nucleares iranianas, o país ainda tem a infraestrutura necessária para reiniciar o processo. Os ataques, que ocorreram em junho, visaram locais importantes, mas Grossi disse que as instalações não foram totalmente destruídas. O Irã rejeitou a cooperação com a AIEA, acusando a agência de favorecer os EUA e Israel, e seu parlamento decidiu suspender a colaboração. O líder supremo do Irã minimizou os efeitos dos ataques, e o país insiste que seu programa nuclear é pacífico. Grossi ainda espera que seja possível negociar com o Irã, mas o país condiciona novas conversas a garantias dos EUA contra futuros ataques. A situação continua tensa, com o Irã enriquecendo urânio a 60%, o que pode permitir a fabricação de armas nucleares. A comunidade internacional está atenta aos desdobramentos, que podem afetar a segurança na região e no mundo.

O Irã pode retomar o enriquecimento de urânio em “questão de meses”, conforme afirmou Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A declaração foi feita após os ataques dos EUA e Israel a instalações nucleares iranianas, que, segundo Grossi, causaram danos significativos, mas não totais. Ele destacou que o país ainda possui a infraestrutura necessária para reiniciar o processo.

Os ataques, realizados em 13 de junho, visaram locais como Fordow, Natanz e Isfahã, com o objetivo de impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares. Apesar das alegações de Donald Trump de que as instalações foram “totalmente destruídas”, Grossi contradisse essa afirmação, afirmando que o Irã ainda mantém capacidades industriais e tecnológicas. Uma avaliação preliminar do Pentágono sugere que os ataques apenas atrasaram o programa nuclear iraniano por alguns meses.

Reações do Irã

O Irã, por sua vez, rejeitou a cooperação com a AIEA, acusando a agência de favorecer Israel e os EUA. O parlamento iraniano decidiu suspender a colaboração, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que os danos causados pelos ataques foram “excessivos e graves”. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Abdolrahim Mousavi, declarou que o país está preparado para responder a novas agressões.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, minimizou os efeitos dos ataques, enquanto o embaixador iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, reafirmou que o direito ao enriquecimento de urânio é inalienável. O Irã insiste que seu programa nuclear é pacífico e destinado a fins civis, apesar das crescentes tensões com a comunidade internacional.

Futuro das Negociações

Grossi expressou esperança de que ainda seja possível negociar com o Irã, ressaltando a necessidade de uma solução diplomática para a situação. O acordo nuclear de 2015 limitava o enriquecimento de urânio a 3,67%, mas o Irã começou a violar essas restrições após a retirada dos EUA do pacto em 2018. Atualmente, o país enriquece urânio a 60%, o que é suficiente para potencialmente fabricar armas nucleares.

A situação permanece tensa, com o Irã afirmando que não abrirá mão de sua capacidade de enriquecer urânio. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, condicionou a retomada das negociações a garantias dos EUA contra novos ataques. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos, que podem impactar a segurança regional e global.

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