- Cerca de cinquenta milhões de brasileiros já utilizam IA generativa, como ChatGPT, Claude e Gemini, segundo a TIC Domicílios 2025.
- Um relatório do Netskope Threat Labs (maio de 2026) aponta que sessenta e quatro por cento das violações de políticas de dados em apps de IA no Brasil envolvem dados protegidos pela LGPD.
- Ao enviar mensagens, fotos ou documentos, o conteúdo fica em até três camadas de processamento: armazenamento, treinamento dos modelos e, em alguns casos, revisão humana por funcionários.
- É possível desativar o uso de conversas para treinar os modelos, mas o procedimento varia por plataforma e precisa ser feito pelo usuário; planos corporativos costumam bloquear o treinamento por padrão.
- Medidas recomendadas: evitar compartilhar informações sensíveis e usar opções corporativas (ChatGPT Enterprise, Claude for Work, Gemini no Google Workspace) para maior governança e proteção de dados.
O uso de chatbots como ChatGPT, Claude e Gemini já faz parte do dia a dia de muitos brasileiros. Cerca de 50 milhões já utilizam IA generativa, segundo a TIC Domicílios 2025. Dados podem ser usados para treinar modelos, dependendo do plano e da plataforma.
Relatórios recentes indicam que 64% das violações de políticas de dados em IA no Brasil envolvem informações protegidas pela LGPD, como dados de saúde e finanças. Além disso, usuários costumam compartilhar fotos e detalhes cotidianos sem compreender a exposição.
Quando mensagens, fotos ou documentos são enviados a um chatbot, o conteúdo percorre os servidores da empresa e passa por até três camadas de processamento. O histórico de conversas é armazenado para permitir o acesso em diferentes dispositivos.
Mesmo após a exclusão na interface, conversas podem permanecer nos servidores por dias ou semanas. Em seguida, especialistas afirmam que as conversas são usadas para calibrar versões futuras da IA. Dados sensíveis podem ser incorporados aos treinamentos.
A terceira camada envolve revisão humana, com funcionários da empresa acessando trechos de conversas para controle de qualidade. No caso do Gemini, a Google informa que revisores podem consultar dados por até três anos.
O que acontece com fotos e conversas enviadas a um chatbot
Cada plataforma lida com dados de modo distinto, mas o uso para treinamento costuma ocorrer em planos Free e pagos. A exceção são cenários em que o usuário desativa a opção de treinamento nas configurações.
No ChatGPT, conversas de planos Free e Plus podem ser usadas para treinar modelos, a menos que o usuário retire a permissão. Mesmo assim, dados podem ficar retidos por até 30 dias após a exclusão. A OpenAI afirma não vender dados para terceiros.
No Gemini, a coleta é mais ampla por integração com Gmail, Drive e Fotos. Conversas podem melhorar os serviços da Google, com revisão humana possível por até três anos. A empresa recomenda não inserir informações confidenciais.
No Claude, a política mudou em 2025: contas de consumo também podem ter dados usados para treinamento, com opção de opt-out. Caso o usuário desative, as conversas são deletadas em até 30 dias. A Anthropic oferece controles mais diretos para clientes corporativos.
Planos corporativos bloqueiam o uso de dados para treinamento por padrão: ChatGPT Enterprise, Gemini no Workspace e Claude for Work. Esses ambientes visam governança de dados.
Dados sensíveis compartilhados na prática
Estudos apontam alta adesão a IA no ambiente corporativo e uso de aplicativos pessoais no trabalho. Ao colar trechos de contratos ou dados de clientes em chatbots, há transferência de dados para terceiros, o que pode violar a LGPD. Responsabilidade recai sobre a empresa.
A cada dois anos, a proporção de usuários ativos aumentou significativamente, segundo o Netskope Threat Labs Brazil 2026. A adoção de IA no ambiente corporativo segue crescendo, com maior uso de contas pessoais.
Como desativar o treinamento de dados
A desativação é possível em cada plataforma, mas requer ação do usuário. No ChatGPT, acesse Configurações, Controles de Dados e desative Melhorar o modelo para todos. Também existe o modo Conversa Temporária, sem salvamento de histórico.
No Gemini, vá a Configurações e Ajuda > Atividade, depois Desativar e excluir atividade. A desativação impede novos dados para treino, porém pode truncar o histórico de chats.
No Claude, acesse Configurações de Privacidade e desative a opção Ajude a melhorar Claude. Com a desativação, as conversas ficam armazenadas por até 30 dias para exclusão.
Proteção de privacidade ao usar IA
Desativar o treinamento reduz o uso de dados para treino, mas não elimina retenção ou falhas de proteção. Ative autenticação de dois fatores e revogue permissões de câmera e galeria quando o app não estiver em uso.
Especialistas recomendam não compartilhar informações sensíveis: senhas, dados bancários, documentos de identificação e fotos íntimas. Em ambientes corporativos, vale usar versões empresariais com controles de governança por padrão.
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