- Psicólogo Alberto Soler afirma que o que chamamos de recompensas e punições são, na prática, reforços e punições ruins, usados na educação infantil.
- Ele diz que educar sem recompensas nem castigos não é realista, segundo sua experiência clínica e como divulgador do tema.
- Em palestra, Soler explica que tudo o que fazemos após um comportamento funciona como reforço, aumentando ou diminuindo a chance de repetição no futuro.
- Recompensas podem ser aceitáveis se não substituírem a motivação intrínseca da criança; premiar com dinheiro, por exemplo, pode gerar efeito contrário.
- Em vez de punições, o especialista recomenda uma consequência lógica com quatro características: relacionada ao erro, razoável, comunicada previamente e respeitosa.
Alberto Soler, psicólogo infantil, afirma que o que costumamos chamar de recompensas e punições são, na prática, reforços e punições ruins. Segundo ele, educar apenas com incentivo não é uma prática viável, mesmo em discurso. Soler atua há mais de uma década no tratamento de crianças e famílias.
O especialista concilia atendimento clínico com atividades de divulgação e autor de obras como Filhos e pais felizes e Crianças sem rótulos. Em palestra sobre educação consciente, ele sustenta que manter o humor e a serenidade é essencial para a aprendizagem, sem abandonar a cobrança de comportamento adequado.
Para Soler, tudo o que ocorre após um comportamento funciona como reforço, positivo ou negativo, influenciando a repetição futura. O que se chama de recompensa ou castigo, na visão dele, pode ser entendido como reforços inadequados e punições inadequadas.
Reforços e punições: como pensar a prática
Durante a palestra, o psicólogo observou que uma promessa pode ser aceitável quando não mina a motivação intrínseca. O exemplo citado envolve uma criança que gosta de leitura, ao qual a recompensa não deve se tornar moeda de troca para tarefas importantes.
Já em outra situação, a promessa de vantagens externas pode prejudicar a motivação interna da criança. Nesse caso, o reforço extrínseco tende a substituir o desejo pessoal pelo ganho imediato, levando a um efeito indesejado a longo prazo.
Regras para consequências que substituem a punição
Soler ressalta que punições costumam ser mais prejudiciais que recompensas. Chamadas de ameaças ou chantagens, elas afetam o vínculo entre pais e filhos e não promovem melhoria estável do comportamento.
A recomendação do especialista é adotar consequências lógicas, relacionadas ao erro cometido, proporcionais e comunicadas previamente. Além disso, é essencial que a abordagem seja respeitosa, sem recorrer a imposições.
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