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Safra de trigo no RS deve cair 36,4% por área menor e cautela com El Niño

Emater projeta safra de trigo no Rio Grande do Sul em 2,2 milhões de toneladas, queda de 36,4% ante 2025, com área menor e crédito inseguro, diante do El Niño

Colheita de trigo na região russa de Rostov
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  • A safra de trigo no Rio Grande do Sul deve cair 36,4% em 2026, segundo a Emater, em primeira estimativa para as culturas de inverno.
  • A produção fica em cerca de 2,2 milhões de toneladas, ante 3,46 milhões em 2025.
  • A área plantada deve recuar 30,2%, para 814,2 mil hectares, puxando a queda da safra.
  • Fatores como El Niño, doenças, custos elevados e crédito rural inseguro ajudam a reduzir investimentos e a produtividade.
  • A canola (oleaginosa de inverno) deve crescer, com produção estimada de 572 mil toneladas e área de 353 mil hectares.

A safra de trigo do Rio Grande do Sul deve registrar uma queda de 36,4% em 2026 frente à temporada anterior. Produtores reduzem a área plantada por preocupações climáticas com o El Niño e por dificuldades financeiras decorrentes de preços baixos do cereal. A Emater divulgou a primeira estimativa para as culturas de inverno.

A produção gaúcha está estimada em 2,2 milhões de toneladas, ante 3,46 milhões em 2025. O recuo ocorre mesmo com o período de plantio em andamento no Estado, principal produtor de trigo do Brasil nos últimos anos. A área cultivada deve cair 30,2%, para 814,2 mil hectares.

A Emater aponta que a menor área impacta diretamente a volume de colheita. Em tom técnico, o diretor Mateus Rocha destacou a insegurança causada pelo El Niño, que tende a intensificar doenças, elevar custos e reduzir o potencial produtivo das lavouras.

Rocha detalhou que chuvas excessivas na colheita podem comprometer a qualidade do trigo, já que a cultura é sensível a fatores fitossanitários. Também há projeção de queda da produtividade média devido ao menor investimento em insumos.

Outro ponto relevante é a situação de crédito rural, considerada insegura pela Emater. Segundo o técnico, produtores gaúchos vêm enfrentando maior descapitalização, o que agrava a retração na área plantada diante dos preços baixos no mercado internacional.

Canola deve crescer e ampliar a área plantada

A canola, oleaginosa de inverno utilizada para biocombustíveis, deve ter produção de 572 mil toneladas, quase o dobro de 2025. A área plantada deve avançar para 353 mil hectares, com condições de preço mais favoráveis e contratos com indústrias assegurando o plantio.

Rocha ressaltou que o cenário de preços mais atrativos para a canola favorece o cultivo, contribuindo para o equilíbrio da safra de inverno no sul do Brasil. O desempenho da canola contrasta com o comportamento do trigo, mais vulnerável às variabilidades climáticas e de mercado.

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