- A ata da 279ª reunião do Copom é apresentada com tom cauteloso: inflação cheia e medidas subjacentes aceleraram, e a incerteza externa permanece elevada.
- Riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados que o usual, com assimetria altista.
- Surgiu um risco adicional de alta: estímulos à demanda que elevem a atividade acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais de transmissão da política monetária.
- O Copom sinaliza cautela e deve manter trajetórias de Selic menos disruptivas, evitando volatilidade excessiva nos ativos.
- No cenário internacional, ações de tecnologia caem bastante e o petróleo recua, com o Brent abaixo de 78 dólares; ETF EWZ e futuros dos índices americanos também recuam.
A divulgação da Ata da 279ª reunião do Copom, realizada nos dias 16 e 17 de junho, acompanha a abertura da sessão de pré-mercado. O documento aponta cautela do comitê diante da inflação e de riscos externos, com tom conservador ao longo do texto.
A ata destaca que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram e que a incerteza externa permanece elevada. O comitê sinaliza assimetria altista nos riscos, ampliando a atenção a cenários de alta.
O texto também aponta um risco adicional de alta: estímulos à demanda que elevem a atividade acima do produto potencial, reduzindo a eficácia dos canais de transmissão da política monetária. A condução monetária pode permanecer contida.
Copom e trajetória da Selic
A ata indica que, inicialmente, o cenário se deteriorou desde a última decisão, e o IPCA já fica acima do teto da meta. Mesmo assim, o Copom prefere manter uma postura de cautela nas trajetórias da Selic.
Segundo a avaliação, é mais adequado seguir trajetórias de cortes menos agressivos, evitando volatilidade excessiva nos preços de ativos financeiros. A ideia é ponderar resultados com práticas de política monetária responsáveis.
Economista ouvido pela imprensa aponta que, apesar da Selic em 14,25% ao ano, a inflação de 12 meses permanece acima do teto da meta, limitando quedas adicionais no curto prazo. O comitê mantém o ritmo gradual de flexibilização.
Cenário internacional e commodity
No exterior, ações de tecnologia recuam, pressionando índices. Na Ásia, a Coreia registra queda expressiva; nos EUA, o Nasdaq sofre com quedas de componentes de processadores e insumos do setor.
Em contrapartida, o petróleo recua, com o Brent abaixo de 78 dólares o barril. A perspectiva é de que um acordo de paz entre Irã e EUA aumente a oferta, influenciando o preço da commodity.
Perspectivas de ativos
No pré-mercado, cotas do ETF EWZ iShares MSCI Brazil e contratos futuros dos principais índices americanos apresentam quedas. Os movimentos refletem a combinação de notícias locais e o clima externo.
Indicadores programados
No Brasil, permanece o foco no Relatório do Copom. Nos Estados Unidos, PMI Industrial (jun) está projetado em 54,6, ante 55,1 anterior, e PMI do setor de serviços (jun) em 51,1, ante 50,7.
Entre na conversa da comunidade