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Digimais teve aval da gestão Tarcísio para consignado na PM-SP, diz PF

Digimais recebe autorização do governo de Tarcísio para consignado na PM-SP, em meio a crise financeira e apuração da PF por suspeita de fraude

Edir Macedo, em culto da Igreja Universal: banco controlado pelo bispo é alvo da PF por suspeita de fraudes
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  • O Digimais recebeu autorização da gestão de Tarcísio de Freitas para fazer empréstimo consignado com desconto em folha para a Polícia Militar de São Paulo, com vigência de agosto de 2025 até fevereiro de 2030.
  • A credencial do banco, controlado por Edir Macedo, foi publicada pelo Diário Oficial do Estado, expandindo o alcance para cerca de oitenta mil clientes entre policiais.
  • A operação da Polícia Federal, batizada de Miragem, está apurando suspeitas de fraude na gestão do Digimais, com mais de cinquenta policiais envolvidos e nove mandados de busca e apreensão.
  • A Justiça determinou o sequestro e bloqueio de bens de até cento e sessenta e nove milhões de reais, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.
  • O Digimais já enfrentava dificuldades financeiras, com prejuízo no primeiro trimestre deste ano e aportes de capital promovidos pelo empresário para atender exigências regulatórias, além de quedas no volume de consignados.

O Digimais recebeu autorização da gestão de Tarcísio de Freitas para conceder crédito consignado a funcionários da Polícia Militar de São Paulo, com desconto direto na folha. A operação ocorreu mesmo diante de sinais de fragilidade financeira da instituição.

A autorização foi publicada pelo governo paulista, por meio da Diretoria de Folha de Pagamento, em Diário Oficial. O credenciamento permitiu ao banco atuar com consignados para o funcionalismo estadual.

O Digimais pertence ao grupo controlado pelo bispo Edir Macedo, que lidera a Igreja Universal e tem vínculo político com o Republicanos, legenda liderada pelo próprio empresário. A ligação entre o banco e o partido é objeto de apuração.

O que mudou e quem envolve

A PM de São Paulo passou a poder contratar consignados com desconto em folha junto ao Digimais, ampliando o universo de até 80 mil policiais ativos no estado. A medida ocorreu pouco antes de a instituição enfrentar crise financeira.

O avanço ocorre em meio a informações de que Edir Macedo aportou recursos ao banco para atender exigências regulatórias. Em dezembro do ano passado, o empresário investiu inicialmente cerca de 250 milhões de reais para reforçar capital.

Contexto financeiro do banco

Até o primeiro trimestre deste ano, o Digimais registrou prejuízo de 108,7 milhões de reais, após ter lucro de 31,3 milhões em 2025. O balanço do segundo semestre do ano passado indicou prejuízo de 10,8 milhões, segundo a administração.

Para viabilizar venda do banco, o grupo desembolsou ainda mais 741,3 milhões de reais em aquisição de cotas de um fundo, administrado pela própria empresa controlada por Macedo. A operação envolveu a marca Hermon.

Polícia Federal e medidas administrativas

A Polícia Federal investiga supostas fraudes na gestão do Digimais. Dezenove mandados de busca e apreensão foram cumpridos por mais de 50 agentes, com autorização da Justiça Federal em São Paulo, na chamada Operação Miragem. Também houve sequestro e bloqueio de bens de até 670,3 milhões de reais.

A investigação apura uso de compra de cotas para inflar ativos do banco, em prática similar a ocorridas no extinto Master. Os investigadores buscaram apurar irregularidades em operações com crédito consignado.

Administração pública e adesões anteriores

A prefeitura de São Paulo autorizou o Digimais a fazer consignado para servidores municipais por meio de termo de adesão publicado em outubro de 2023, com validade de dois anos. Não há confirmação de renovação dessa adesão.

Em dezembro de 2023, o Hospital do Servidor Público Municipal também autorizou o banco a operar com consignado, cartão consignado e crédito pessoal para servidores. A mudança ampliou o braço de atuação do Digimais no funcionalismo.

Panorama do consignado e perspectivas

Relatos de mercado apontam queda no volume de crédito consignado do Digimais neste ano, após notícias sobre possível venda da instituição. Em 2025, o consignado representou 36% dos ativos do banco, segundo fontes que acompanham negociações internas.

Executivos envolvidos nas tratativas não divulgaram números oficiais sobre convênios com o governo estadual ou com a prefeitura, nem resultados das operações de PM e servidores municipais desde o fim de 2023.

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