- O calor recorde na França, maior produtora de grãos da União Europeia, pode reduzir safras de milho não irrigado e afetar o trigo antes da colheita.
- Termômetros atingiram até 43°C, com alerta máximo no país e previsão de temperaturas iguais ou superiores nessa faixa nesta semana.
- Sem chuvas significativas nos próximos 10 dias, a safra de milho francês pode ficar abaixo de 10 milhões de toneladas, ante 13,2 milhões em 2025.
- O rendimento do trigo pode cair para menos de 7,0 toneladas por hectare, resultando em uma produção pelo menos 1 milhão de toneladas menor que em 2025.
- Contratos futuros de trigo e milho subiram cerca de 3% na bolsa europeia, com colheita adiantada em um a dois weeks; o calor pode avançar para o leste, elevando riscos na Alemanha, Polônia e Báltico.
Uma onda de calor recorde na França, maior produtor de grãos da União Europeia, pode comprometer a safra de milho já na fase de desenvolvimento e afetar o rendimento do trigo próximo da colheita. Analistas classificam o episódio como inédito para o período recente.
Kilo da produção e preços sobem. Contratos futuros de trigo e milho na Euronext avançaram cerca de 3% na segunda-feira, diante da expectativa de impactos do clima seco na França e em outros grandes produtores da UE. O calor elevou a pressão sobre as safras.
Grande parte da França registra alerta máximo de calor, com temperaturas em torno de 40 C nesta terça e previsões de até 43 C na semana, segundo a Meteo France. A continuidade do calor poderia reduzir a safra de milho não irrigado para abaixo de 10 milhões de toneladas, frente a 13,2 milhões de 2025, caso não haja chuvas significativas nos próximos 10 dias.
Se as restrições de água se tornarem generalizadas, o milho irrigado também pode sofrer, segundo especialistas. O rendimento do trigo soft na França pode recuar para menos de 7,0 t/ha, abaixo de 7,4 t/ha em 2025, levando a uma produção próximo de 32 milhões de toneladas, com queda de até 1 milhão de toneladas em relação ao ano anterior.
As áreas de trigo com desenvolvimento tardio no norte do país aparecem entre as mais vulneráveis, pois o calor pode interromper o enchimento dos grãos e reduzir o peso específico. Analistas destacam que regiões com maior potencial de produção devem manter a média nacional demanda de cuidado.
O calor já acelerou o andamento das culturas após uma primeira onda de calor em maio, que adiou o calendário e antecipou colheitas de cevada e trigo. Produtor francês relatou que a colheita deve ocorrer uma a duas semanas mais cedo do que o usual, refletindo o impacto direto do clima.
Impacto no Mercado e Perspectivas
O serviço de monitoramento Mars alertou que o calor e a escassez de chuvas podem reduzir o potencial de rendimento na Europa Ocidental e Central. O rastro de temperatura elevada deve seguir para o leste, elevando riscos para trigo menos maduro na Alemanha, Polônia e região do Báltico, segundo analistas.
Espera-se que o cenário aumente a volatilidade dos preços de grãos na Europa e leve ajustes adicionais em mercados de commodities diante da incerteza climática e de possíveis restrições hídricas. Autoridades e produtores monitoram a evolução para calibrar estratégias de plantio e manejo.
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