- Em São Paulo, aluguéis de até R$ 400 por m² impulsionam o boom das lajes corporativas com a volta ao presencial.
- A busca por imóveis de alta qualidade (Triple A) aumenta: ocupação avançou e bilhete de demanda por espaço cresce, reduzindo vacância.
- Distribuidores de imóveis, como Brookfield, mostram ocupação de 91% no portfólio brasileiro, com 83 mil m² contratados em 2025 e 25 mil m² em 2026.
- A demanda por espaço nessas lajes tem sido puxada por grandes empresas, incluindo a Uber, que fechou contrato de mais de 50 mil m² no primeiro trimestre de 2026.
- Mesmo com o recuo relativo da vacância, fundos imobiliários de lajes corporativas enfrentam redução de proventos e pior desempenho frente a setores como galpões logísticos.
Nos últimos dois anos, o retorno ao escritório ganhou força, com grandes empresas estimulando ou impondo maior frequência presencial. O resultado foi o aumento da ocupação de lajes corporativas, subida de preços e uma maior pressão por imóveis de qualidade.
Segundo a Brookfield Properties, a taxa de ocupação total do portfólio brasileiro chegou a 91%, ante 82% no ano anterior. Em 2025, foram 83 mil m² de locação assinados; em 2026 já são 25 mil m², indicando continuidade do aquecimento.
O portfólio da Brookfield soma 27 prédios de escritórios no Brasil, com cerca de 900 mil m² sob gestão, distribuídos entre São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O Parque da Cidade, adquirido em 2022, é hoje usado em 93% das suas unidades.
O recorte paulista aponta que a demanda vem de diversos setores. Entre eles, grandes nomes chineses, indústria e multinacionais. Bancos e instituições financeiras também aparecem como locadores relevantes, especialmente em grandes áreas.
Entre as empresas que lideram movimentos de retorno, a Uber figura com contrato de mais de 50 mil m² no primeiro trimestre de 2026, destacando a tendência de compressão da vacância e fortalecimento da absorção líquida. A busca por contratos com maior qualidade é evidente.
A taxa de vacância média do mercado de escritórios de São Paulo ficou em 16,6% em 2025 e caiu para 15,9% no primeiro trimestre de 2026. Edifícios de alto padrão, os chamados Triple A, apresentaram vacância de 10,5% no início de 2026, com recusa gradual de novas entregas.
O movimento de demanda subsidia reajustes de aluguel acima da inflação. Revisões contratuais a cada três anos, somadas a indexação, têm gerado reajustes acima de 30% segundo executivos. A demanda firme sustenta tendências de alta de preço.
A absorção líquida de 292 mil m² em 2025, conforme a CBRE, sinaliza recuperação do mercado de lajes corporativas. Dados apontam que a demanda está mais concentrada em áreas como Paulista, Pinheiros e Chucri Zaidan, com foco em infraestrutura e experiência do colaborador.
Panorama atual
A volatilidade histórica do setor convive com o impulso do flight to quality, que privilegia imóveis de alto padrão na cidade de São Paulo, principalmente na região da Faria Lima, onde o metro quadrado pode superar 300 reais, chegando a mais de 400 reais em alguns casos.
Desempenho dos fundos
Apesar da demanda aquecida, ativos listados de lajes corporativas mostram desempenho desigual. Fundos imobiliários do setor perderam parte da distribuição de dividendos nos últimos anos, com quedas em propostas de VBI Prime Properties e Vinci Offices, contrastando com a elevação de preços e ocupação de ativos de alto padrão.
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