- Áreas que votaram para sair da União Europeia (Leave) tiveram crescimento relativo mais rápido de trabalhadores estrangeiros desde o referendo do Brexit, entre 2016 e o fim de 2024.
- Em média, áreas Leave cresceram mais rapidamente na parcela de trabalhadores não britânicos, porque tinham participação menor no mercado de trabalho anteriormente.
- Em Wigan, onde ocorreu a eleição parcial de Makerfield, a participação de trabalhadores fora do Reino Unido subiu de menos de 5% em junho de 2016 para pouco abaixo de 10% em dezembro de 2024.
- A migração total no país aumentou após o Brexit, com pico de 944 mil imigrantes no ano encerrado em março de 2023, e o saldo migratório caiu desde então.
- Áreas Remain (normalmente grandes cidades) ainda concentram o maior número de trabalhadores estrangeiros, mas os distritos Brexit-voting apresentaram crescimento relativo mais rápido de sua força de trabalho estrangeira.
Os dados de uma investigação do Guardian revelam que áreas que apoiaram a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) tiveram crescimento relativo mais rápido de trabalhadores estrangeiros desde o referendo de 2016. A análise sugere que a década após a votação não correspondeu às expectativas de muitos apoiadores do Leave, com as áreas locais também se tornando mais necessitadas ao longo do tempo.
Conforme os números, a migração aumentou no país inteiro após o Brexit, especialmente entre quem chegou com vistos de saúde e cuidado. O pico ocorreu no ano até março de 2023, com 944 mil pessoas. A migração líquida, porém, caiu desde então, à medida que os vistos vencem e não são renovados.
Entre 2016 e o fim de 2024, dados do Pay As You Earn (PAYE) indicam que trabalhadores não britânicos cresceram mais rapidamente em termos percentuais nas áreas com maior apoio ao Leave, em parte porque esses trabalhadores representavam uma parcela menor da força de trabalho previamente.
Um exemplo regional é Wigan, palco da eleição parcial de Makerfield. Em junho de 2016, menos de 5% dos empregados com folha de pagamento eram de fora do Reino Unido; em dezembro de 2024 esse contingente ficou próximo de 10%, mais que o dobro em termos relativos.
Globalmente, a participação de trabalhadores estrangeiros aumentou cerca de 40% nesse período, ao invés de dobrar. Áreas que votaram pela Remain, com frequência cidades maiores, continuam abrigando o maior contingente de não britânicos, registando aumentos absolutos maiores.
Mesmo assim, áreas que votaram pelo Leave apresentaram crescimento relativo mais rápido da força de trabalho estrangeira. Isso destaca que migração se tornou parte mais perceptível da vida de trabalho local em regiões menos acostumadas com esse perfil.
Anand Menon, diretor do UK in a Changing Europe e professor de política europeia na King’s College London, observa que mudanças mais rápidas podem ter impacto político. Segundo ele, o ritmo de mudança pode ser mais relevante que os números totais.
Uma análise separada de dados de deprivation aponta que regiões Remain, como Bristol Central, Clapham e Brixton Hill, e Cambridge, registraram as maiores melhorias entre 2015 e 2025. Em contrapartida, áreas que apoiaram o Brexit, como Boston, Skegness, Hartlepool e North Warwickshire and Bedworth, tornaram-se relativamente mais desfavorecidas.
Cruzando as leituras, não se pode atribuir tudo ao Brexit. Pesquisas anteriores mostram que áreas com maior renda e mão de obra qualificada tendem a ser mais resilientes diante de choques econômicos. Beberam da Covid-19, da guerra na Ucrânia e da indústria manufatureira mudanças que afetaram diversos territórios.
O estudo também indica que áreas com votos a favor do Leave costumam apresentar piora em indicadores de saúde, com mais beneficiários de saúde e maior taxa de hospitalizações por doenças graves. Em habitação e serviços, o panorama de acessibilidade também fica desfavorável em relação a Remain.
Por Makerfield, a decréscimo da posição relativa na lista de deprivation entre 2015 e 2025 foi modesta (7 lugares). No entanto, houve queda acentuada em habitação (52 lugares) e em crime (127 lugares), ilustrando assimetrias dentro do conjunto de dados.
Não se deve usar o Brexit como explicação única para todos os fenômenos. Menon destaca que o tema não explica tudo, e que economias mais prósperas tendem a ter maior resiliência em cenários de mudança.
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