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Shein perde loja em Paris após dono do imóvel se arrepender

Shein encerra operação na BHV Marais após venda do imóvel; saída prevista até o Natal, enquanto França já aplicou mais de 22 milhões de euros em multas

Loja da Shein em shopping no centro de Paris, em 3 de novembro de 2025. Foto: Julie Sebadelha/AFP
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  • A loja física permanente da Shein na BHV Marais, em Paris, será fechada após o proprietário do imóvel anunciar a venda do ponto; a saída deve ocorrer idealmente até o Natal.
  • A BHV Marais fica no Marais, em frente à prefeitura de Paris; a administração classificou a presença da Shein como um erro estratégico.
  • A operadora do espaço, a SGM, informou que venderá o imóvel a um grupo empresarial; os planos de abrir mais cinco lojas na França deverão passar por revisão de longo prazo.
  • A decisão gerou protestos e investigações, com milhares processando a Shein por concorrência desleal e autoridades da União Europeia investigando a venda de itens ilegais; o primeiro-ministro francês chegou a bloquear o site por dois dias.
  • Na França, as multas já chegam a mais de € 22 milhões, elevando o total de sanções ao grupo a mais de € 210 milhões; a Shein disse que retirou produtos problemáticos e proibiu bonecas sexuais no marketplace.

A Shein, gigante chinesa do fast fashion, perde pela primeira vez uma loja física fixa. A operação funciona na BHV Marais, em Paris, desde novembro, no sexto andar de um prédio histórico do Marais, próximo à prefeitura. A decisão foi tomada após protestos e investigações sobre o modelo de negócios.

Na terça-feira 16, a operadora da BHV, a SGM, confirmou a venda do ponto a um grupo empresarial. A loja deve encerrar as atividades até o Natal, segundo a SGM, que chamou a presença da marca de erro estratégico. A empresa afirma cumprir os contratos em outros pontos da França.

Frédéric Merlin, diretor da SGM, disse que houve erros e que a venda representa um plano para uma retomada mais sólida. Ele destacou que compromissos contratuais com a Shein fora de Paris serão mantidos até uma revisão de longo prazo.

Protestos e investigações marcaram o episódio. Comerciantes processaram a empresa por concorrência desleal, e cerca de 100 marcas deixaram a BHV Marais. Reguladores da UE investigam a venda de produtos ilegais no marketplace da marca.

A narrativa pública ganhou contornos políticos e ambientais, com críticas ao modelo de negócio da Shein e à sustentabilidade de seus fornecedores. Em dezembro, a UE abriu uma apuração sobre itens como bonecas com aparência infantil, armas e medicamentos de venda proibida.

O governo francês endureceu a postura sobre a operação. O primeiro-ministro ordenou o bloqueio temporário do site da Shein, e a alfândega reteve encomendas para inspeção durante aquele período. A empresa informou que removeu produtos problemáticos de forma global.

Multas administrativas rápidas foram aplicadas à Shein pela França. Em junho, o país somou mais de 22 milhões de euros por rastreabilidade, rotulagem ambiental e prazos de entrega. No total, as sanções já excedem 210 milhões de euros.

Sobre a decisão de fechar a BHV, a Shein afirmou que respeita a medida. A empresa também comentou ter vivido uma colaboração experimental marcada por obras de renovação que impactaram clientes e operações na loja parisiense.

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