- Brexit reduziu as exportações do Reino Unido para a UE em 12%, com queda maior na parte de serviços (7%) e de bens (16%).
- A maior parte do impacto, cerca de 10% do total, decorre da saída do mercado único.
- Custos regulatórios, como certificação e conformidade com normas da UE, tiveram efeito mais significativo que as barreiras alfandegárias.
- Os setores mais afetados foram viagens, finanças e seguros, produtos químicos e farmacêuticos, e agrifood.
- Segundo os pesquisadores, reingressar apenas na união aduaneira traria ganho modesto e não beneficiaria o setor de serviços; retornar ao mercado único implicaria grandes trade-offs políticos.
A saída do Reino Unido da União Europeia continua a impactar as exportações britânicas, aponta pesquisa do Centre for European Reform (CER). Segundo o estudo, as exportações para a UE recuaram 12% em relação ao que seriam se o país ainda estivesse no bloco, após o referendo de 2016.
Os autores, John Springford e Anton Spisak, destacam que a maior parte da perda — 10% do efeito total — decorre da saída do mercado único, e não de barreiras aduaneiras. Eles avaliam dados de comércio e modelagem econômica para chegar a essa conclusão.
O relatório ressalta que o setor de serviços sofreu quedas mais expressivas, com exportações 7% menores e bens 16% abaixo do nível projetado sem Brexit. Entre os segmentos mais atingidos estão viagens, finanças e seguros, químicos, farmacêuticos e agronegócios.
Impacto e desdobramentos
Os pesquisadores afirmam que os custos regulatórios do Brexit tiveram efeito mais significativo que as barreiras aduaneiras, em especial por procedimentos de certificação e checagens de conformidade com normas da UE.
O estudo também observa que, desde a pandemia, o comércio de serviços dentro da UE cresceu, o que o Reino Unido perdeu ao não manter-se no acordo. Em consequência, a recuperação prevista para o setor de serviços permanece mais lenta.
Profissionais da política têm enfatizado a necessidade de uma relação comercial mais estreita com a UE, com expectativas de um encontro marcado para o mês seguinte. O governo, porém, mantém o compromisso de não reingressar no mercado único ou na união aduaneira, nem abrir mão do controle da imigração.
O espectro político segue aberto a possibilidades futuras, com candidatos a liderança mencionando a ideia de retorno à UE. Enquanto isso, estudos do CER indicam que o ganho potencial de apenas reverter para a união aduaneira seria modesto para o setor de serviços e para o conjunto do comércio.
Caminhos possíveis
Os autores defendem que a recuperação integral dos impactos exigiria reintegração à economia europeia por meio do mercado único, seja apenas de bens ou de forma mais ampla, o que implicaria escolhas políticas complexas, como livre circulação de pessoas e contribuições ao orçamento da UE.
Também destacam que uma readequação mais profunda envolveria acordos com termos de acesso ao mercado e conformidade regulatória, sem a capacidade de influenciar as regras, o que representa outro conjunto de trade-offs para o Reino Unido.
O estudo do CER conclui que, até o momento, não há evidências de que o Reino Unido tenha compensado as perdas com maior comércio com países não pertencentes à UE, como alguns defenderam antes do referendo.
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