- Varejo registrou queda real de 3,6% em maio, apesar de o Índice de Vendas no Varejo da Cielo (ICVA) ter subido 1,8% na comparação anual, puxado principalmente por serviços.
- Analistas do BTG Pactual destacam que shoppings listados na bolsa seguem resilientes e com desempenho acima do setor, sustentados por ativos de alta qualidade.
- Em 12 meses, ações de shoppings mostraram ganhos variados: JHSF3 (+106%), Multiplan (MULT3) (+2%), Iguatemi (IGTI11) (+7,1%), Allos (ALSO3) (+22%) e Syn Propriedades e Meios (SYNE3) (-3,9%).
- O BTG mantém visão construtiva para operadores de shoppings, ressaltando controle disciplinado de custos de ocupação, vacância historicamente baixa e métricas operacionais sólidas.
- Sobre inflação e aluguel, o BTG aponta que contratos de locação costumam ser indexados ao IGP, com o IGP-DI de maio em alta, e que shoppings dominantes conseguem apresentar crescimento real de aluguel, apesar dos ventos macroeconômicos adversos.
O desempenho do varejo brasileiro em maio voltou a sinalizar fraqueza, com o Índice de Vendas no Varejo da Cielo (ICVA) registrando queda real de 3,6% ante igual mês de 2023. O indicador subiu 1,8% na leitura nominal, mas a inflação corroeu o avanço, puxada principalmente pelos serviços, como restaurantes, turismo e transporte. O recuo fica acima do esperado e marca o pior desempenho real para maio desde 2021.
Mesmo diante da contração, analistas do BTG Pactual mantêm visão positiva para os shoppings listados na bolsa. Em relatório, Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris apontam que ativos de alta qualidade no segmento têm mostrado resiliência e superado o desempenho geral do varejo, sustentados por portfólios voltados a consumidores de renda elevada.
Contexto setorial e impactos da inflação
O varejo apresentou queda real especialmente no Sudeste, onde o recuo chegou a 4,7% em maio, mesmo com variação nominal de 2%. O BTG ressalta que o movimento reflete um consumo mais cauteloso diante de inflação mais elevada e endividamento maior das famílias, segundo avaliação dos analistas. Ainda assim, os shoppings permanecem fortalecidos por contratos de aluguel atrelados a índices de inflação, mantendo margens mais estáveis.
A janela de avaliação dos ativos de shoppings aponta para vacância historicamente baixa e operações com métricas firmes. O BTG cita, entre os pilares, a disciplina na gestão de custos de ocupação e a qualidade dos portfólios, que ajudam a sustentar a performance mesmo diante de pressões macroeconômicas.
Desempenho de ativos na bolsa e leitura de mercado
Entre as companhias listadas, a valorização em 12 meses varia de acordo com o portfólio: JHSF avançou cerca de 106%, Multiplan ficou estável, Iguatemi registrou alta de aproximadamente 7%, Allos subiu em torno de 22% e Syn Propriedades perdeu quase 4%. O BTG reforça que, apesar do cenário desafiador, a visão de investimento permanece favorável para operadores com gestão eficiente de custos e alavancagem de ativos premium.
Segundo os analistas, a combinação de locação indexada pela inflação, demanda estável por imóveis de alta qualidade e níveis baixos de vacância sustenta o crescimento real de aluguéis dos shoppings dominantes. A avaliação indica que esse conjunto de fatores tende a continuar apoiando o desempenho relativo do setor frente ao varejo mais amplo.
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