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Governo encerra subsídios a combustíveis com petróleo a US$ 80

Caso o petróleo se estabilize em torno de US$ 80, governo pode extinguir subsídios a combustíveis, abrindo espaço para o BC ampliar cortes de juros

Secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron 3 de julho de 2025
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  • O governo brasileiro vai extinguir subsídios a combustíveis caso o petróleo fique em torno de US$ 80 o barril, conforme apontado pelo secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron.
  • Um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio facilitaria essa composição de cenário e reduziria pressões sobre inflação e juros futuros.
  • Ceron afirmou que, se estabilizar em US$ 80, não haveria necessidade de manter as medidas de apoio e elas seriam encerradas por prudência.
  • Nos próximos 30 dias, o governo vai observar a consolidação do cenário, diante da volatilidade gerada pela guerra e seus efeitos sobre petróleo, juros e câmbio.
  • A Fazenda avalia que a guerra impactou projeções de inflação e juros; além disso, projeta crescimento do PIB em 2,3% neste ano, dentro de uma faixa de 2,0% a 2,5%.

O Brasil pretende encerrar subsídios aos preços de combustíveis caso a cotação do petróleo estabilize em torno de US$ 80 o barril, segundo o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron. A aposta depende de um acordo sinalizado entre EUA e Irã para o fim do conflito no Oriente Médio.

Ceron afirmou à Reuters que, com a possibilidade de fim da guerra, as projeções de inflação devem melhorar e a pressão sobre os juros futuros diminuir. O governo sustenta que isso abriria espaço para o Banco Central aprofundar a flexibilização da política monetária e reduzir custos da dívida pública.

Até o momento, medidas de apoio aos combustíveis, adotadas desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, têm validade em sua maioria até julho. As ações incluem reduções tributárias e subsídios sobre diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha.

Além de indicar cautela, o secretário explicou que os próximos 30 dias serão cruciais para observar se o cenário com petróleo a US$ 80 se consolida. Caso haja estabilização, ele sinalizou que as medidas poderão ser encerradas por prudência.

Ceron destacou que, mesmo com o petróleo em patamar mais alto, a recente apreciação do real frente ao dólar amenou parte da pressão inflacionária. Ele apontou que, com o câmbio mais firme, o impacto direto sobre preços fica menos intenso.

O fim das medidas depende também de avaliação sobre cenários de mercado. O secretário afirmou que haverá uma escolha entre antecipar o fim das ações ou mantê-las até o vencimento dos prazos vigentes, avaliando risco e eficácia.

Na visão da Fazenda, as projeções para o crescimento do PIB em 2026 devem permanecer entre 2,0% e 2,5%, com a estimativa atual de 2,3% para o ano. O governo contesta que as medidas de estímulo tenham provocado efeitos inflacionários relevantes.

Ceron afirmou ainda que o debate fiscal continua, reconhecendo desafios na trajetória de despesas, mas sem margem para medidas em período que antecede a campanha eleitoral. Ele ressaltou que fatores externos também influenciam a curva de juros brasileira.

Em relação ao cenário externo, o secretário destacou que indicadores de economia dos EUA mantêm-se resilientes, contribuindo para a reprecificação de ativos globais. O Brasil deve realizar nova emissão soberana de títulos sustentáveis no segundo semestre e pode anunciar avanços na cooperação com a China.

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