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CEO da maior exportadora de lácteos da América do Sul: superar US$ 2 bi

CEO da Conaprole mira US$ 2 bilhões, expandindo para Sudeste Asiático e América Central diante de acordos comerciais que afetam a China

Gabriel Valdés, CEO da Conaprole
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  • O CEO Gabriel Valdés afirma que a Conaprole quer ultrapassar a barreira de US$ 2 bilhões em faturamento, após fechar o exercício de julho de 2026 próximo de US$ 1,2 bilhão pela cooperativa e US$ 1,5 bilhão pelo grupo, incluindo a Prolesa.
  • A empresa celebra 90 anos, inaugurou nova sede e hoje exporta 80% do leite que recebe, atuando em 75 mercados.
  • A continuidade é vista como vantagem competitiva: há longos vínculos na gestão e um programa com o LATU para formar produtores que ocupem cargos na cooperativa.
  • Acordos comerciais moldam o negócio: queda de vendas na China após tarifas favorecidas a Nova Zelândia e Austrália; a Coreia do Sul também foi citada como exemplo de impacto de acordos.
  • O plano de investimentos envolve cerca de US$ 30 milhões anuais nos últimos 15 anos, com foco recente em capacidade industrial, matriz energética e automação, incluindo segurança cibernética; há aposta em Sudeste Asiático, especialmente Indonésia, e diversificação para outros mercados.

Gabriel Valdés, CEO da Conaprole, afirmou que ampliar o faturamento para além de US$ 2 bilhões é o objetivo estratégico da cooperativa. A declaração foi feita durante a celebração dos 90 anos da empresa, realizada no novo prédio em La Aguada, no Uruguai.

A Conaprole encerrou o exercício de julho de 2026 próximo de US$ 1,2 bilhão, e o grupo completo, que inclui a Prolesa, fica em torno de US$ 1,5 bilhão. O objetivo de expansão surgiu no encontro com empresários, autoridades e produtores.

Desde 2003 à frente da empresa, Valdés tem conduzido a transição da Conaprole para uma operação exportadora. Hoje, a cooperativa exporta 80% do leite recebido e atua em 75 mercados, com 90% projetado para o futuro.

Nova sede e continuidade gerencial

A nova sede de La Aguada simboliza a consolidação da gestão de longo prazo. Valdés enfatiza a importância da estabilidade da equipe-gerencial, citando vínculos de mais de uma década entre diretores e setores-chave.

Entre os 11 subordinados diretos, há profissionais com 12 a 15 anos de atuação na empresa, o que, segundo o CEO, facilita o aprendizado interno e a consistência estratégica.

Formação de produtores e governança

Há três anos, a Conaprole criou, com o LATU, um programa voltado a formar produtores para ocuparem cargos na cooperativa. O curso abrange economia, leitura de balanços, exportações e gestão de capital humano, combinando docentes com experiência prática.

A direção da Conaprole inclui cinco produtores, e a Assembleia dos 29 também é composta por produtores. O foco é preparar a gestão para o futuro, com ferramentas de capacitação contínua.

Desafios comerciais e acordos

Valdés destacou o impacto de acordos de livre comércio para a expansão internacional. O mercado chinês, que já foi um grande destino, sofreu alterações com tarifas zero para a Nova Zelândia e a Austrália, reduzindo as vendas para a China de mais de US$ 100 milhões para cerca de US$ 10 milhões.

A cooperativa segue buscando oportunidades na China, mantendo contatos comerciais, mas reconhece a dificuldade de recuperar o espaço perdido. Em relação à Coreia do Sul, houve relatos de interesse caso as condições tarifárias fossem mais favoráveis.

Indonésia e Sudeste Asiático como foco

Com a China mais desafiadora, a Conaprole investe na diversificação para o Sudeste Asiático. A Indonésia, que abriu seu mercado sanitário em 2025, já recebeu as primeiras entregas: 25 toneladas de leite em pó integral e 25 toneladas de desnatado.

O CEO indicou outras regiões com potencial, incluindo mercados da América Central e parte da América Latina, onde barreiras sanitárias podem ser superadas por meio de competitividade e acordos regionais.

Investimentos e tecnologia

Nos últimos 15 anos, a Conaprole investiu em média US$ 30 milhões por ano. A produção primária cresceu 15% nos últimos dois anos, levando a empresa a acelerar os investimentos nos próximos dois anos, possivelmente em dobro.

Os investimentos são divididos entre capacidade industrial, matriz energética e automação. A automação exige também maior foco em cibersegurança e qualificação das equipes para operar tecnologias avançadas.

Planejamento estratégico e futuro do setor

Um dos maiores desafios é definir caminhos de crescimento com critério, escolhendo setores com fundamentos e cenários bem calculados. A Conaprole observa o aumento de proteínas derivadas do leite e mantém atenção à evolução do mercado global de laticínios.

Valdés reforçou a importância da cooperação entre setor público e privado, citando a denúncia de dumping envolvendo produtores brasileiros, que foi arquivada em 2025 após ações diplomáticas eficientes.

Olhar para o longo prazo

A Conaprole nasceu em 1935 para abastecer Montevidéu e passou a exportar quatro décadas depois. Atualmente, 80% do leite recebido é destinado a mercados externos, com previsão de chegar a 90% nos próximos 10 anos.

O Uruguai possui cerca de 350 mil a 400 mil vacas leiteiras; o potencial de crescimento do setor primário é reconhecido pelo presidente da cooperativa, que compara o cenário com a liderança mundial da Nova Zelândia em produção.

Segundo Valdés, alcançar os US$ 2 bilhões exigirá ampliar mercados, investir mais e manter o produtor no centro do modelo de negócios. A velocidade de adaptação e a qualidade das escolhas estratégicas serão fundamentais.

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