- O Bank of Japan elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, indo de 0,75% para 1%, atingindo o maior patamar desde 1995.
- A alta busca conter pressões inflacionárias associadas ao conflito no Oriente Médio, mesmo com a queda recente do preço do petróleo.
- A inflação core do Japão caiu para 1,4% em abril, em território de quatro anos, segundo o BoJ.
- O banco destacou incertezas sobre a evolução dos suprimentos de petróleo, mas citou pacote governamental de alívio para famílias diante de custos com combustível.
- O índice Nikkei atingiu recorde com a notícia, e o Japão tornou-se o segundo país do G7 a subir juros desde o início do conflito; BCE já elevou taxas e Fed/BoE devem manter as atuais neste ciclo.
O Banco do Japão elevou as taxas de juros para o maior nível em 31 anos, buscando frear pressões inflacionárias associadas ao conflito no Oriente Médio. A alta levou a taxa de política monetária a 1% (de 0,75%). O movimento ocorreu em Tóquio, com o objetivo de conter repasses de custos de petróleo.
Os dirigentes afirmaram que empresas repassam custos do petróleo a tarifas entre setores de forma relativamente rápida. Mesmo com a recente queda do petróleo, o BoJ manteve o aperto diante de riscos de inflação que se mantêm acima da meta e de sinais de aquecimento de preços subjacentes.
O governador Shinichi Uchida destacou a incerteza sobre a evolução dos suprimentos de petróleo e comentou que, apesar de a inflação núcleo ter caído para 1,4% em abril, o caminho para a meta permanece incerto. O BoJ sinalizou que o cenário externo é um fator relevante.
A decisão ocorre mesmo com a redução esperada no ritmo de deterioração econômica causado pelo conflito no Oriente Médio, parcialmente mitigada por um pacote de alívio do governo para famílias com custo elevado de energia. A cotação do petróleo influenciou a condução da política, ainda que houvesse flexibilização no ímpeto de aperto.
O mercado japonês reagiu com alta: o Nikkei encerrou em leve recorde, superando 70 mil pontos, em meio a expectativa de que a decisão do BoJ não seja acompanhada por um aperto ainda mais agressivo. Em relação ao cenário internacional, o BoJ já é o segundo banco central do G7 a aumentar taxas desde o início do conflito.
Analistas enfatizam que a decisão representa um marco para a política monetária japonesa, já que eleva custos de financiamento para empresas e consumidores pela primeira vez desde o início da década. Observadores destacam que o aperto não foi mais intenso, ante rumores de subida de 50 pontos-base.
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