- Em disputa presidencial de 21 de junho, Colombia realiza segundo turno entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, com propostas distintas para o combate às drogas: endurecimento criminal versus “paz total” e negociação com grupos ideológicos e criminosos.
- A produção de cocaína teve aumento sob o governo atual, com redução de erradicação forçada e maior produtividade por hectare; os EUA também descredenciaram a Colômbia como parceiro de controle de drogas.
- Nos EUA, o fim da aid development de USAID, em 2025, encerrou programas de desenvolvimento alternativo que ajudavam os cocaleros a buscar atividades lícitas, acelerando mudanças de renda e de uso de terras.
- Programas de desenvolvimento alternativo, com construção de estradas rurais e regularização fundiária, mostraram eficácia em reduzir o cultivo de coca ao oferecer títulos de terra e acesso a serviços, embora tenham sido interrompidos com o fechamento da USAID.
- Dados técnicos relevantes: cerca de quarenta por cento dos produtores rurais menores não possuem título de land; o programa rodoviário rural, iniciado em 2022, resultou em mais de duas mil contratos para melhorar aproximadamente cinco mil quilômetros de vias, com orçamento próximo de cento e vinte e três milhões de dólares.
Ontem, em 21 de junho, a Colômbia entrou no segundo turno das eleições presidenciais. Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda disputam a vaga, representando abordagens distintas no combate ao narcotráfico. A votação ocorre no país, com impactos para políticas antidrogas e relações com os Estados Unidos.
De la Espriella, outsider conservador, promete endurecer a criminalidade e planeja megaprisiones inspiradas em modelos de outros países. Cepeda, aliado de Gustavo Petro, defende a continuidade da estratégia de “paz total”, com negociação, desarme e desmobilização de grupos armados.
O tema central é controlar a produção de cocaína, tema de grande relevância para a Colômbia e para os EUA. A trajetória recente aponta aumento da produção sob o governo Petro, que reduziu ações de erradicação forçada e ampliou áreas cultivadas, segundo organizações internacionais.
Em setembro, os EUA descredenciaram a Colômbia como parceira no controle de drogas, iniciando ações deinteroperação marítima contra o tráfico no Caribe e no Pacífico. Houve debates sobre instrumentos de combate, entre intervenção militar e desenvolvimento alternativo.
Papel da ajuda ao desenvolvimento
Nos anos anteriores, a USAID apoiou projetos de desenvolvimento rural, como estradas e regularização fundiária, para retirar agricultores do cultivo de coca. O fim desses programas, em 2025, criou fraturas em parcerias institucionais com o governo colombiano.
Cocaleros são agricultores pobres, muitas vezes sem titularidade de terras. A regularização fundiária facilita acesso a crédito e reduz incentivos para manter o cultivo ilícito. Estudos apontam que a posse da terra fortalece opções legais de produção e venda no mercado.
Na prática, os programas de desenvolvimento ajudaram a deslocar parte da produção para atividades legais. Estradas rurais passaram a facilitar o escoamento de produtos licitos e a presença policial em áreas remotas. A logística promoveu inclusão social e acesso a serviços públicos.
Em 2024, o governo colombiano assinou milhares de contratos para melhoria de quase 5 mil quilômetros de vias rurais, com orçamento próximo de 123 milhões de dólares. O saldo, segundo especialistas, foi uma melhoria na competitividade de produtores legais e na presença do Estado.
A interrupção dessas iniciativas, associada a mudanças na política antidrogas, reacende o debate sobre as ferramentas mais eficazes. Analistas ressaltam que programas de desenvolvimento sustentável costumam ser mais eficientes que ações meramente repressivas.
Perspectivas e impacto regional
O resultado das eleições pode influenciar a trajetória de erradicação de coca e de cooperação com parceiros internacionais. O esforço para reduzir o cultivo, por meio de desenvolvimento rural, continua sendo tema central para políticas públicas e para a relação com a comunidade internacional.
Especialistas destacam que o contexto externo, como ações de combate ao narcotráfico em nível regional, molda as estratégias internas da Colômbia. A cooperação com aliados pode orientar decisões sobre erradicação, fiscalização e desenvolvimento comunitário.
As eleições permanecerão como marco para definirem-se prioridades de segurança, economia e desenvolvimento. O país avalia caminhos entre endurecimento penal e diálogo com grupos envolvidos, com impactos potenciais para a estabilização regional.
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