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Inadimplência eleva leilões de imóveis rurais no Brasil

Endividamento no campo atinge R$ 171,2 bilhões e impulsiona leilões de imóveis rurais, com 14.219 propriedades em 2025

Colheita de soja no Rio Grande do Sul 4 de abril de 2025
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  • Leilões de propriedades rurais no Brasil cresceram, com credores tomando mais bens devido à inadimplência no campo.
  • Dívidas problemáticas chegaram a R$ 171,2 bilhões no início deste ano, e inadimplência passou a 19,6% dos empréstimos agrícolas.
  • Em 2025, o volume de imóveis rurais leiloados atingiu 14.219, alta de cerca de 30% em relação ao ano anterior; leilões extrajudiciais rápidos subiram para 2.398 imóveis.
  • Recuperações judiciais no setor agrícola cresceram 56% em 2025, após alta significativa em 2024, segundo dados da Serasa Experian.
  • Fatores como clima instável, preços baixos de exportação (especialmente soja) e juros elevados apoiam o aumento de dificuldades, com o setor temendo impactos do El Niño e custos de insumos.

O volume de leilões de imóveis rurais no Brasil cresceu acentuadamente, impulsionado pela inadimplência entre produtores. Dados do Banco Central indicam forte expansão do endividamento problemático neste ano, elevando o total a 171,2 bilhões de reais no início de 2025. A participação de créditos inadimplentes está em 19,6% dos empréstimos agrícolas.

A escalada ocorre em meio a preços baixos de grãos, juros elevados e custos de insumos em alta. O cenário climático instável, com perspectivas de El Niño, também intensifica pressionamento sobre rendas do campo e pode agravar falências e tomadas de propriedades.

Panorama de números

Leilões de propriedades rurais chegam a 14.219 em 2025, alta de 30% ante 2024, segundo dados do site Leilão Imóvel. Procedimentos extrajudiciais, mais rápidos, somaram 2.398 imóveis tomados no ano passado.

As informações de crédito rural apontam piora: dívidas problemáticas quadrupleram em dois anos, e a inadimplência passou de 5,5% para 19,6% dos empréstimos, conforme o BC. Os dados também indicam aumento de renegociações e pagamentos reescalonados.

Riscos climáticos e impactos no crédito

A Serasa Experian aponta recuperação judicial do setor agrícola com alta de 56% em 2025, após dobra em 2024. Entre os fatores, clima severo, derrotes de safras e juros de referência que subiram de 2% para 15% ao longo de cinco anos afetam capacidade de pagamento.

Produtores ouvidos destacam quedas de produtividade e custos elevados com fertilizantes, acentuados pela guerra no Irã. A combinação de fatores eleva o risco de inadimplência e acelera processos de retomada de propriedades.

Regiões e respostas

O Rio Grande do Sul figura entre os estados com maior inadimplência, agravada por enchentes de 2024 associadas a mudanças climáticas. Produtores ressaltam que a variação climática impacta renda e planejamento de plantio, elevando vulnerabilidade financeira.

Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola, afirma que o momento de endividamento no campo é delicado. Analistas veem tendência de aumento de leilões e dificuldades financeiras nos últimos anos.

Perspectivas

Analistas avaliam que a combinação de juros altos, incerteza de preços internacionais e clima instável mantém o cenário tenso. Agricultores e credores discutem caminhos para evitar perdas graves, com foco em renegociação e manejo de crédito rural.

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