- A privatização da Eletrobras ocorreu em 14 de junho de 2022, o governo deixou de controlar a empresa, que foi rebatizada como Axia Energia.
- Prometidos investimentos bilionários não se confirmaram: em quatro anos, pouco mais de 10 bilhões de reais foram realizados, e a conta de luz permanece estruturalmente mais cara.
- Os salários da diretoria e do conselho dispararam: até o fim de 2026, a média dos 11 diretores será de 558 mil reais por mês; os nove membros do conselho recebem, em média, 143 mil reais mensais, somando 62 milhões de reais em quatro anos.
- O governo Lula contestou o modelo, buscando recuperar voz e voto no conselho em ações judiciais, embora o formato privatizado mantenha o governo com cerca de 40% das ações, com direito a voto limitado a 10%. Também existe a figura da “pílula de veneno” para impedir reestatização, a não ser a um custo elevado.
- Em abril de 2023 a Axia deixou de negociar na Bolsa de Nova York, com a empresa alegando baixa participação, o que reduzida ainda mais a transparência. A Aneel autorizou, em março, leilão que pode elevar a oferta de energia, resultando em reajuste médio da conta de luz de cerca de 7,5% ao ano nos próximos seis anos.
A privatização da Eletrobras, concluída em junho de 2022, transformou a estatal em Axia Energia. A operação reduziu a participação do governo e mudou o controle da empresa, com impactos variados para o mercado de energia brasileiro. O processo ocorreu no fim do governo de Jair Bolsonaro.
A venda de ações ocorreu em 14 de junho de 2022, com o governo deixando de deter controle direto. A mudança foi apresentada como necessária para atrair investimentos, mas o País não viu os números prometidos de investimentos ou de geração de empregos.
Ao longo de quatro anos, a Axia registrou lucros crescentes, enquanto os salários da alta direção dispararam. De 2023 até o fim de 2026, a média mensal dos 11 diretores ficou em 558 mil reais, totalizando 295 milhões de reais em quatro anos. O conselho teve ganhos médios de 143 mil por mês, somando 62 milhões.
Logo que retomou o mandato, o presidente Lula criticou os salários da diretoria da Eletrobras privatizada. Em 2023, ele ingressou com ação no STF para reverter a voz de voto do governo na empresa, buscando ampliar sua influência.
O modelo de privatização manteve o governo com cerca de 40% das ações, mas com direito a voto restrito a 10% nas decisões. A estrutura gerou críticas entre economistas, que apontam a criação de um Estado minoritário com direitos limitados.
Um dispositivo conhecido como poison pill impede a retomada do controle pela via de compra de ações a preços acima do mercado, caso haja tentativa de reestatização. O governo tentava reverter esse regime por meio de ações no STF, mas o processo foi encerrado com acordo mantendo o status quo.
O atual presidente do conselho é Vicente Falconi, que detém cerca de 7,7 milhões de ações, avaliadas em aproximadamente 400 milhões de reais. A remuneração com ações já é prática na Axia, juntos aos planos de recompra de papéis.
Em 2025, a Axia divulgou vínculos com uma empresa de Falconi para gestão de software e para apoiar uma cultura de execução estratégica, documentos que abriram questionamentos sobre conflitos de interesse. A empresa também decidiu deixar a bolsa de Nova York por baixa liquidez.
A conta de luz permaneceu mais alta 4 anos após a privatização. Relatórios indicam que, apesar de leilões para ampliar a oferta de energia, o reajuste médio pode chegar a 7,5% ao ano nos próximos seis anos, conforme cálculos da agência reguladora Aneel.
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