- Em 2011, a Riserva 1964 de Brunello di Montalcino da vinícola Biondi Santi foi eleita o melhor vinho da Itália pela Associação Italiana de Sommeliers, tornando-se símbolo nacional e da história da empresa.
- Desde novembro de 2018, Giampiero Bertolini dirige a Biondi Santi, contratada pelo grupo francês EPI, que comprou a vinícola em 2017.
- A empresa realizou mapeamento de vinhedos com o apoio do especialista Pedro Parra, identificando doze parcelas; não pretende engarrafar separadamente, para não comprometer a qualidade.
- O cultivo enfrenta o aquecimento global: a vinícola já trabalha com seleção massal de variedades (cerca de cinquenta biótipos) e adotou uma condução em V para proteger os cachos do sol e favorecer a circulação de ar.
- A vinícola lançou o podcast La Voce para dialogar com jovens e sommeliers da nova geração e passou a ajustar o tempo de guarda das garrafas para que taninos fiquem mais suaves, facilitando o consumo mais jovem.
A garrafa que ninguém bebeu ganhou novo significado para a vinícola italiana Biondi Santi. A Riserva 1964 de Brunello di Montalcino ficou associada ao legado da família e à história da Itália, mesmo sem ter sido degustada. Hoje, a garrafa simboliza a gestão de uma marca centenária.
Em 2018, a vinícola passou para as mãos de Bertolini, após a aquisição pelo grupo francês EPI, de Christopher Descours. A mudança gerou dúvidas sobre como preservar um ícone nacional: seria possível manter a essência italiana sob gestão estrangeira?
O episódio histórico do ícone foi comentado pelo atual diretor, que assumiu em novembro de 2018. Ele chegou após um longo percurso de 16 anos na Frescobaldi, iniciando conversas com os franceses para alinhar expectativas antes de aceitar o cargo.
Conservação da essência italiana
O patrimônio da Biondi Santi inclui vinhedos antigos e uma adega que remonta a safras anteriores à Segunda Guerra. A empresa produz em torno de 100 mil garrafas por ano, mantendo a reputação de elegância associada ao Brunello.
Em 2019, a empresa contratou o geólogo Pedro Parra para mapear o solo, abrindo mais de 30 buracos. Do estudo resultou a identificação de 12 parcelas, o que facilita a navegação entre safras com diferentes volumes de uva.
Adaptações frente ao clima e ao mercado
O aquecimento global levou a vinícola a diversificar estratégias. Foram testadas variações de clone, com a seleção massal de outras genéticas da casta para reduzir riscos climáticos. Além disso, a condução em V melhora a ventilação e protege os cachos do sol.
A Biondi Santi também intensificou o diálogo com o público jovem. O projeto La Voce, um podcast, busca apresentar vinhos de forma menos ritualística. A ideia é tornar o consumo mais acessível sem comprometer a qualidade.
Desafios e perspectivas
Com o mercado exigindo vinhos que amadurecem mais rápido, a casa tem ajustado tempo de bottle aging para tornar safras recentes bebíveis ainda jovens. A estratégia envolve manter a qualidade histórica sem sacrificar a inovação.
Sobre expansão, Bertolini sinalizou possibilidades, inclusive fora da Toscana, avaliando até o Piemonte. Em meio a turbulências geopolíticas, a decisão dependeria de manter a narrativa da casa sem comprometer sua identidade.
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