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Cooperativa vinícola mais antiga do Brasil busca sair da lógica das commodities

Nova Aliança, a cooperativa vinícola mais antiga do Brasil, migra de suco a vinhos finos e espumantes, buscando margens maiores e equilíbrio do portfólio até 2030

Cooperativa tem plano de investir R$ 10 milhões para 2026, com foco em modernização industrial e turismo
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  • A Nova Aliança, cooperativa vinícola mais antiga do Brasil, está passando por uma reestruturação para avançar de suco e produção para terceiros para vinhos finos, espumantes e marcas próprias.
  • A cooperativa processa entre 35 milhões e 49 milhões de quilos de uva por ano, com capacidade instalada de 60 milhões de quilos e estoque de cerca de 50 milhões de litros.
  • Em 2024 houve queda de safra, mas o EBITDA ficou positivo pela primeira vez em oito anos; a previsão é triplicar o EBITDA em 2025, com alongamento da dívida e queda de custos.
  • O portfólio deverá ficar meio a meio entre bebidas alcoólicas e não alcoólicas até 2030, mantendo o suco, sem perder as origens da cooperativa.
  • Investimentos previstos para 2026 somam 10 milhões de reais, com foco em modernização industrial e turismo, além de ampliar a força de vendas para até 30 representantes até o fim do ano.

A Nova Aliança, cooperativa vinícola mais antiga do Brasil, está reestruturando seu modelo de negócios para sair da lógica das commodities. A mudança visa valorizar marcas próprias, vinhos finos e espumantes, além de ampliar a presença no varejo com maior rentabilidade. O anúncio foi feito pelo CEO Heleno Facchin em entrevista à Bloomberg Línea.

Fundada há 96 anos, a cooperativa reúne mais de 600 famílias de viticultores. Anualmente, ela processa entre 35 e 49 milhões de quilos de uva, o que representa cerca de 5% a 7% da produção nacional. A capacidade instalada é de 60 milhões de quilos, com volume atual em torno de 45 milhões, e armazenamento próximo de 50 milhões de litros.

A reestruturação começou a ganhar corpo na safra de 2023, com foco em reduzir ociosidade e diluir custos fixos. Facchin aponta que a dependência de suco de uva, visto como commodity, pressionava margens e dificultava a remuneração dos associados. O objetivo é equilibrar o portfólio, elevando o peso de vinhos finos e espumantes.

Mudança estratégica

Segundo o CEO, o reposicionamento envolve sair da produção para terceiros e ampliar a presença direta no mercado. A Nova Aliança passou a investir mais em gente do que em infraestrutura de aço, buscando ampliar a equipe de vendas de 4 para 20-30 profissionais até o fim do ano.

A empresa afirma ter dobrado o volume de espumantes, o que resultou em triplicação da receita relacionada a esse segmento. O plano é manter o DNA de bebidas não alcoólicas, mas com equilíbrio entre alcoólicos e não alcoólicos em 2030, sem reduzir o volume de sucos.

Na prática, a cooperativa busca conquistar maior acesso ao mercado, respondendo à competição de outras empresas com fortes redes de distribuição. Facchin afirmou que, historicamente, a Nova Aliança privilegiou a estrutura industrial, o que acabou reduzindo a notoriedade frente ao consumidor final.

O programa financeiro inclui ajuste de endividamento com vencimentos estendidos para até 10 anos e redução do custo da dívida, mesmo com juros mais altos. Segundo o executivo, o custo da dívida caiu cerca de 35% e a proporção entre endividamento de curto e longo prazo mudou.

Entre os investimentos anunciados, a Nova Aliança prevê 10 milhões de reais para 2026, com foco em modernização industrial e turismo. Investimentos recentes somaram 15 milhões de reais nos últimos três anos, principalmente em envase de vinhos finos e espumantes.

O plano também contempla a criação de um espaço de experiência do consumidor ligado à marca Nova, com orçamento estimado entre 3 e 4 milhões de reais. A empresa descreve o projeto como uma vinícola boutique que preserva suas origens cooperativas.

A receita atual está estimada em 240 milhões de reais, com projeção de crescimento de 50% até o fim da década. O objetivo é ampliar a qualidade do negócio sem perder o foco nas origens da cooperativa.

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