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Moura Dubeux mira rentabilidade alta pós fim do boom do alto padrão no Nordeste

Moura Dubeux mira manter rentabilidade elevada no Nordeste com rebalanceamento de mix: foco maior na classe média e na rentabilidade, não no volume

Diego Villar soma praticamente 15 anos na Moura Dubeux, ocupando desde 2019 a cadeira de CEO
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  • A Moura Dubeux afirma que o preço do metro quadrado de alto padrão no Nordeste atingiu o teto, e a empresa vai rebalancear o portfólio para manter a rentabilidade, mirando venda para a classe média em Recife e região.
  • O metro quadrado de luxo na região fica entre R$ 20 mil e R$ 25 mil em média; a empresa registrou valorização de 140% das ações nos últimos 16 meses.
  • A estratégia é manter margens e ROE estáveis, com foco em faixas de renda fora do alto padrão nos próximos anos, incluindo expansão de marcas Mood e Única.
  • Em 2025, lançamentos somaram R$ 4,6 bilhões em VGV; no primeiro trimestre de 2026, lançamentos passaram de R$ 1,3 bilhão, com o landbank acima de R$ 10 bilhões.
  • No Nordeste, o mercado segue relevante, mas houve queda de lançamentos no 1º trimestre de 2026 (19,7 mil), com 36% dos lançamentos atrelados ao Minha Casa Minha Vida e 64% para demais padrões.

A Moura Dubeux não espera novo ciclo de expansão acelerada do alto padrão no Nordeste, especialmente no Recife, após o teto observado nos preços do metro quadrado. A empresa mantém o foco no segmento premium, calibrando decisões para sustentar rentabilidade mesmo com menor ritmo de crescimento.

Segundo o CEO Diego Villar, o mercado de luxo na região atingiu patamar alto, mas o crescimento passa a vir pela oferta destinada à classe média, com lançamentos e vendas mais contidos. O objetivo é manter margens e retorno sobre patrimônio, mesmo com menor volume.

Para o portfólio da companhia, o alto padrão continua representando uma fatia relevante, com imóveis na faixa de preço entre 20 mil e 25 mil reais por m². A Moura Dubeux atua com marcas próprias e integra o Mood e o Única para ampliar o alcance sem abandonar a linha central.

Cenário do Nordeste e da Moura Dubeux

Villar explica que o cenário recente mostrou maior profundidade de demanda global e brasileira por imóveis de luxo, estimulada por liquidez e juros baixos. Com o ciclo em transição, a aposta é pela rentabilidade em vez do volume, e pela diversificação entre marcas.

A empresa projeta que, no médio prazo, o crescimento passe a ocorrer em faixas de renda fora do alto padrão. A Única, focada no segmento econômico e no Minha Casa Minha Vida (MCMV), pode chegar a lançamentos de 2 bilhões de reais em 2027. A Mood, voltada à classe média, tende a manter around 1 bilhão por ano. A Moura Dubeux, por sua vez, espera atingir 2,5 bilhões em lançamentos anualmente. Ao todo, as três marcas somariam cerca de 5,5 bilhões de reais em 2027.

Ainda segundo Villar, a transição de ciclo envolve ajustes de composição de produtos e prazos de entrega, com prazos de execução de 48 meses para o alto padrão e menores, entre 22 e 28 meses, para as demais marcas. A estratégia visa manter margens consistentes e ROE saudável.

Resultados financeiros e perspectivas

A Moura Dubeux subiu mais de 140% de valor de ações desde o começo de 2025, refletindo resultados acima do esperado. No primeiro trimestre deste ano, a empresa registrou lucro líquido de 155 milhões de reais, alta de 120% em relação ao mesmo período de 2025, com ROE anualizado de 32,5%.

Analistas do Itaú BBA destacaram o desempenho como forte e classificaram a rentabilidade como robusta, reiterando a visão de que a Moura Dubeux é a melhor opção entre construtoras de renda média e alta. A instituição ressaltou a saúde da dinâmica no Nordeste frente ao restante do país.

A empresa opera com landbank acima de 10 bilhões de reais em potencial de vendas (VGV). Em 2025, os lançamentos chegaram a 4,6 bilhões de reais; no primeiro trimestre de 2026, houve mais de 1,3 bilhão de reais em VGV.

Cenário macro aponta cautela com custos, apesar de contenção de inflação em itens como mão de obra. O INCC-M da FGV mostrou alta de 2,97% entre janeiro e maio, com avanço de 8,4% em 12 meses, pressionando margens no setor.

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