- O mercado projeta a Selic acima de 14% nos próximos anos, com pouca margem para novos cortes e curva de juros achatada.
- A precificação dos futuros indica que investidores desistiram de alívio monetário diante da inflação alta, impulsionada pela disparada do petróleo e pela resiliência da economia brasileira.
- O cenário externo também pressiona o Brasil, com o temor de alta de juros pelo Federal Reserve, impactando as tarifas nacionais.
- Grandes bancos revisaram suas projeções, elevando a Selic para além de 13% neste ano e indicando alta para aproximadamente 14% no fim de 2026; Focus também subiu as estimativas.
- Especialistas destacam que a curva segue próxima de 14% até 2032, refletindo riscos fiscais e políticos, além de uma possível pausa na apertação monetária para avaliação futura.
O mercado já não aposta em cortes da Selic e projeta juros acima de 14% por anos. A precificação dos contratos de juros futuros sinaliza que investidores desistiram de alívio monetário diante da inflação mais alta e da resiliência da economia brasileira.
A disparada do petróleo frente à guerra no Irã aumenta as expectativas de inflação, pesando sobre as decisões de política monetária. No exterior, o temor com pressões de preços leva o mercado a precificar alta de juros do Federal Reserve, o que ajuda a sustentar taxas altas no Brasil.
Os operadores passaram a praticamente eliminar a aposta de redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom. A curva de juros permanece achatada, com a Selic em 14,50% e expectativa de que encerre o próximo ano próximo de 15%.
Essa visão de juros mais altos permanece válida até 2032, segundo a leitura atual da curva de futuros, que mostra pouca diferença entre os vencimentos. Segundo analistas, há maior caution por riscos fiscais e políticos.
Grandes bancos ajustaram projeções para um ambiente monetário mais apertado. BTG Pactual elevou a estimativa para 14,25% neste ano; Itaú passou de 13,25% para 13,75%; XP, de 13,75% para 14%. A Focus também elevou a expectativa para 13,50% ao fim de 2026.
O BC sinaliza continuidade na calibragem da política monetária. O BTG prevê ainda um possível corte de 0,25 pp, mas recomenda pausa em junho para a próxima avaliação. O presidente Gabriel Galípolo está em missão externa; eventuais falas do Copom serão acompanhadas de perto.
Especialistas destacam que o ambiente externo, com tensões no petróleo, e a resposta interna, com estímulos à atividade, mantêm o cenário de juros elevados. A imprensa econômica aponta que a leitura de curto prazo favorece contenção monetária futura, mas sem garantias.
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