- A Jiangnan Shipyard apresentou na Posidonia 2026, em Atenas, um projeto de ilha flutuante movida a energia nuclear para transferência de contêineres e geração de energia com emissão zero.
- O complexo seria alimentado por reatores de sal fundido de quarta geração, que utilizam sal liquefeito como combustível e refrigerante, armazenando energia térmica sem necessidade de água para resfriamento.
- A ilha reuniria cinco componentes: reator de sal fundido, painéis solares, turbina eólica, módulo de produção de hidrogênio e síntese de combustível verde, e módulo de fornecimento de eletricidade.
- O objetivo é servir como ponto de transferências entre navios e como estação de reabastecimento para embarcações com combustíveis alternativos ou eletricidade, reunindo funções hoje distribuídas em portos terrestres.
- A iniciativa acompanha outros projetos da empresa em navios civis movidos a sal fundido, incluindo um cargueiro nuclear em desenvolvimento com reator baseado em tório, com potência de quatrocentos megawatts e vida útil estimada em quarenta anos.
A Jiangnan Shipyard, companhia naval-chave da China, apresentou nesta semana um conceito de ilha flutuante movida a energia nuclear. A proposta funciona como terminal de transferência de contêineres e como plataforma de produção de energia de emissão zero, com potencial para abastecer embarcações a partir de energia nuclear.
O projeto foi divulgado durante a Exposição Internacional de Navegação Posidonia, em Atenas, um evento de referência no setor marítimo. A ideia é usar reatores de sal fundido de quarta geração, que combinam combustível e refrigerante, permitindo armazenamento de energia térmica sem depender de água para resfriamento.
A ilha seria composta por cinco módulos centrais: um reator de sal fundido, painéis fotovoltaicos, uma turbina eólica, um módulo de produção de hidrogênio com síntese de combustível verde e um sistema de fornecimento de eletricidade. Esse conjunto criaria um núcleo de operação com emissão zero.
Além de servir como ponto de transferência entre navios, a estrutura permitiria o reabastecimento de embarcações movidas a combustíveis alternativos ou elétricas, integrando funções hoje distribuídas entre portos terrestres. O projeto, segundo a apresentação da Jiangnan, busca transformar o transporte marítimo com baixa emissão de carbono.
A relação com a indústria nuclear civil não se limita a essa ilha. Em novembro de 2025, a construtora detalhou planos para um cargueiro movido a reator de sal fundido baseado em tório, com potência térmica de 200 megawatts e vida útil estimada em 40 anos. A embarcação poderia carregar até 25 mil contêineres.
A fase de desenvolvimento do navio está prevista para ser concluída em 2026, com construção possivelmente iniciando no fim da década, conforme informações citadas pelo SCMP e pela Splash247. Até o momento, nenhum cargueiro mercante movido a energia nuclear opera comercialmente.
Técnica nuclear de quarta geração permite operação em alta temperatura e baixa pressão, reduzindo risco de fusão do núcleo e dispensando água para resfriamento. Em caso de falha, o combustível solidifica em uma câmara de segurança, isentando o meio ambiente de materiais radioativos. Ainda assim, a tecnologia enfrenta desafios, como corrosão por sais e barreiras regulatórias internacionais.
A iniciativa ocorre em um momento em que a indústria marítima busca reduzir o uso de combustível pesado, responsável por parte relevante das emissões globais de CO2. Em Posidonia 2026, o tema da propulsão nuclear ganhou destaque entre armadores, bancos e seguradoras, com a China destacando-se pela velocidade do investimento governamental. Coreia do Sul e empresas europeias também exploram o tema, mas o avanço chinês é visto como mais acelerado.
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