- Governo estuda destinar cerca de R$ 550 bilhões ao crédito rural no Plano Safra 2026/27, volume 10% maior que os R$ 516 bilhões de 2025/26.
- A prioridade é manter as taxas de juros abaixo de dois dígitos; negociações envolvem Ministério da Fazenda e Congresso, com decisão final do presidente Lula.
- O anúncio oficial deve ocorrer em 1º de julho; ministro André de Paula participou de reunião na ACSP para divulgar as perspectivas do plano.
- Os três Planos Safra do governo Lula somam R$ 1,547 trilhão, mais do que o dobro dos R$ 713 bilhões do governo anterior.
- Em São Paulo, o ministro inaugurou o novo escritório da Embrapa e firmou acordo com o Carrefour Brasil para qualificação de produtores.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, esteve em São Paulo nesta terça-feira para tratar de prioridades do setor no coração financeiro do país. Pela manhã, participou da reunião aberta do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e apresentou temas do Ministério da Agricultura ao setor. À tarde, inaugurou o novo escritório da Embrapa na cidade.
Na ACSP, o encontro discutiu o futuro do Plano Safra 2026/27, que deve ser anunciado oficialmente pelo presidente Lula no dia 1º de julho. O governo projeta destinar cerca de R$ 550 bilhões ao crédito rural, um aumento de cerca de 10% em relação aos R$ 516 bilhões do Safra 2025/26. Para o ministro, o foco não é apenas o volume, e sim as condições de financiamento.
O objetivo é manter as taxas de juros em patamar de dois dígitos, conforme sinalizado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a Agrishow 2026. As negociações envolvem Ministério da Fazenda e Congresso, com André de Paula ressaltando que lutará pela melhor condição, mas reconheceu que a decisão final cabe ao presidente Lula. O ministro descreveu o momento como uma “tempestade perfeita” para o setor, citando preços baixos de commodities, endividamento histórico e maiores riscos climáticos.
Entre os temas, o ministro destacou a importância do seguro rural e a ampliação de medidas para reduzir a vulnerabilidade do setor. O total dos três primeiros Planos Safra do governo Lula soma R$ 1,547 trilhão, mais que o dobro do valor agregado nos quatro anos da gestão anterior. André de Paula afirmou que o agronegócio representa cerca de 25% do PIB, gera milhões de empregos e responde por metade das exportações, reforçando a necessidade de alinhamento entre governo e setor produtivo.
Na agenda externa, o ministro informou sobre o avanço de acordos sanitários e fitossanitários, com 616 acessos em 88 destinos desde o início da gestão Lula, e a meta de alcançar 700 até o fim do ano. Em relação à China, destacou o reconhecimento do país como livre de febre aftosa sem vacinação, o que pode impactar positivamente as exportações de carne bovina.
Sobre fertilizantes, André de Paula ressaltou articulações com fornecedores, entre eles China e Nigéria, e citou a reativação de fábricas nacionais como caminho para reduzir dependência externa, já que o Brasil importa grande parte desses insumos. Na parte da tarde, o ministro assinou acordo de cooperação entre Embrapa e Carrefour Brasil para qualificação de produtores rurais e afirmou que os investimentos em pesquisa serão ampliados para impulsionar o desenvolvimento da agropecuária, incluindo a retomada de concursos públicos na instituição.
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