- O diretor da Divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina, Márcio Aguiar, diz que atraso na regulação pode fazer o Brasil perder espaço em IA e data centers, com o PBIA e o Redata parados em Brasília.
- O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, anunciado em julho de 2024, previa atrair R$ 23 bilhões em investimentos até 2028, mas ainda não houve infraestrutura pública inicial.
- O Redata caducou no Senado após aprovação na Câmara; o programa prevê suspensão de tributos federais por até cinco anos para aquisições de tecnologia, em troca de investimentos produtivos, e tramita como Projeto de Lei.
- Dados do Ministério de Minas e Energia apontam aumento de 330% nos pedidos de conexão para novos data centers entre 2024 e 2025, com 28,5 gigawatts de demanda prevista para projetos até 2038; o país tem cerca de 205 data centers em operação ou em construção, com mais de R$ 114,5 bilhões em investimentos.
- Segundo Aguiar, a inércia incentiva fuga de talentos, exportação de capital humano e arbitragem geográfica, mantendo o Brasil dependente de soluções externas; a aprovação do Redata seria um impulso para empregos, capacidade tecnológica e arrecadação.
O Brasil corre o risco de ficar para trás na corrida da inteligência artificial e dos data centers devido à regulação atrasada, segundo Márcio Aguiar, diretor da Divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina. Em entrevista à Bloomberg Línea, ele aponta que o PBIA e o Redata seguem emperrados em Brasília, freando investimentos e inovação.
Aguiar afirma que o compasso atual de regulamentação já tem custo real: fuga de talentos, adiamento de investimentos privados e queda de competitividade frente a vizinhos da região. O executivo ressalta que cada mês de atraso amplia a distância para a nova era da IA.
O panorama conhecido envolve o PBIA, anunciado em 2024 com meta de atrair R$ 23 bilhões até 2028, ainda sem infraestrutura pública de base. O Redata, criado por medida provisória, caducou no Senado; hoje tramita como projeto de lei. Dados indicam aumento expressivo na demanda por centros de dado no país.
Desempenho e impactos
Pedidos de conexão para novos data centers subiram 330% entre 2024 e 2025, segundo o Ministério de Minas e Energia. Em dezembro de 2025, havia 28,5 GW de demanda para projetos até 2038. O Brasil conta com cerca de 205 data centers em operação ou em construção, com investimentos estimados acima de R$ 114,5 bilhões.
A falta de incentivos fiscais claros contribui para a arbitragem geográfica, com empresas optando por custear infraestrutura de fora do país ou aceder via nuvem remota. A consequência é menor criação de propriedade intelectual local e menos empregos de alto valor agregado.
Aguiar ressalta que aprovar o Redata abriria um cenário favorável, com potencial para atrair investimentos em centros de dados devido à matriz energética limpa. O país poderia gerar empregos, aumentar o PIB e ampliar receitas de impostos com desenvolvimento de capacidades locais.
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