- A Viridis Mining & Minerals inaugurou, em Poços de Caldas, o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras, com planta piloto capaz de processar 100 quilos de minério por hora e chegar a 2.920 toneladas anuais de Carbonato Misto de Terras Raras.
- O custo operacional estimado para produzir um quilo de óxido de terras raras é de US$ 9,30, já incluindo despesas de manutenção e reposição de ativos.
- No Brasil, depósitos de argila iônica permitem extrair terras raras por lavagem com soluções simples, diferente da extração de rochas duras em outros países.
- O projeto recebeu aproximadamente R$ 25 milhões de investimentos privados e conta com apoio de agências internacionais de crédito à exportação, como a Export Finance Australia (apoio de até US$ 50 milhões); há avaliação com EDC e Bpifrance, além de 25% de participação de brasileiros na Viridis.
- O Projeto Colossus pode atender cerca de 7% da demanda mundial por terras raras magnéticas e já busca contratos de fornecimento (offtakes) com europeus e norte-americanos.
A Viridis Mining & Minerals, empresa australiana, inaugurou em Poços de Caldas, Minas Gerais, o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras. A planta piloto visa demonstrar uma tecnologia que poderia reduzir drasticamente o custo de produção de terras raras. O projeto, chamado Projeto Colossus, funciona como uma estação de teste em escala semi-industrial.
A novidade não está apenas na operação, mas na geologia do Brasil. Em vez de extrair rochas duras, o processo trabalha com argilas iônicas formadas por intemperismo de rochas vulcânicas. A partir de soluções salinas simples, o minério é liberado sem a trituração tradicional, abrindo caminho para custos menores.
Segundo o executivo da Viridis no Brasil, José Marques, o custo operacional estimado é de US$ 9,30 por quilo de óxido de terras raras, incluindo manutenção. A empresa afirma que o projeto pode atender parte significativa da demanda mundial com esse formato de processamento.
Avanço tecnológico e capacidade
A unidade de Poços de Caldas tem capacidade para processar cerca de 100 kg por hora, chegando a 2.920 toneladas anuais de Carbonato Misto de Terras Raras, o MREC. Mesmo como planta piloto, a instalação é descrita como a maior fora da China.
A meta imediata é confirmar viabilidade técnica e econômica para potenciais compradores globais, com contratos de fornecimento (offtakes) previstos para o segundo semestre. O CEO Rafael Moreno informou que negociações avançadas ocorrem com parceiros europeus e norte-americanos.
Financiamento e apoio internacional
O financiamento privado soma aproximadamente R$ 25 milhões, com participação de gestoras brasileiras como ORE Investments e Régia Capital. Além disso, agências de crédito à exportação já demonstraram interesse: a Export Finance Australia apoiou o projeto com até US$ 50 milhões, e há avaliações com EDC e Bpifrance.
No Brasil, o ecossistema de fomento acompanha a iniciativa, alinhando-se a políticas de transição energética. A Viridis integra estratégias com investidores institucionais, como BNDES e Vale, reforçando o objetivo de tornar o Brasil um polo de minerais críticos.
Implicações estratégicas
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás da China, e o país já abriga outras operações de processamento de argilas iônicas. A Viridis projeta que o Projeto Colossus pode atender cerca de 7% da demanda global por terras raras magnéticas quando em escala comercial.
Rafael Moreno afirmou que há interesse de grupos europeus e americanos. Em negociações, parceiros buscam apoiar o projeto com financiamento e transferência de tecnologia, fortalecendo cadeias de suprimento em fontes não chinesas.
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