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José Kobori afirma que EUA teriam carta na manga para pressionar o Brasil

EUA ganham carta na manga para pressionar o Brasil com sanções, atingindo empresas, o sistema financeiro e o Pix, afirma o economista José Kobori

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  • Economista José Kobori diz que os EUA teriam ganho uma “grande carta na manga” para pressionar o Brasil e tentar reduzir a influência da China.
  • A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas ampliaria o poder de coerção econômica americana, podendo atingir empresas, bancos e o sistema de pagamentos Pix.
  • Kobori afirma que o Pix entrou no radar porque limitou o espaço das operadoras de cartão e de plataformas privadas, como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.
  • Segundo ele, a pressão pode ir de constrangimento diplomático a sanções ao sistema financeiro, e o Itamaraty tende a ganhar tempo nas negociações.
  • No cenário mais extremo, os EUA poderiam exigir que bancos deixem de usar o Pix, para favorecer empresas americanas, embora o pesquisador acredite que isso não chegue ao limite de imediato.

Os Estados Unidos teriam ganho uma “grande carta na manga” para pressionar o Brasil e reduzir a influência da China, segundo o economista José Kobori. Em entrevista ao UOL News, ele afirmou que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas amplia o poder de coerção econômica norte-americano e pode atingir empresas, bancos e o sistema de pagamentos Pix.

Para Kobori, a medida não é apenas combate ao terrorismo, mas um movimento geopolítico e comercial. Ele disse que a decisão permitiria ao governo dos EUA identificar quem estiver ligado ao terrorismo e aplicar sanções econômicas, com impactos ainda difíceis de quantificar.

O analista apontou que o Pix entrou no radar por reduzir o espaço de atuação de operadoras de cartão e de plataformas privadas no Brasil, citando Visa, Mastercard e a tentativa do WhatsApp Pay como exemplos de interesses afetados pela infraestrutura pública de pagamentos.

Implicações para o Pix e pagamentos

Kobori argumentou que a ameaça poderia ir do constrangimento diplomático a sanções ao sistema financeiro, ainda que a possibilidade de adoção de medidas extremas não pareça provável de imediato. Ele ressaltou que o Itamaraty tende a buscar tempo na disputa entre EUA e China.

Segundo o economista, não é vantajoso para o Brasil romper com os Estados Unidos, que são o segundo maior parceiro comercial do país, ficando atrás apenas da China. A estratégia diplomática, na visão dele, é ganhar tempo nesse cenário de rivalidade entre as grandes economias.

Em um cenário mais extremo, Kobori afirmou que os EUA poderiam pressionar bancos e empresas a interromper o uso do Pix, com o objetivo de favorecer empresas americanas. A hipótese seria considerada como forma de obter vantagens nas negociações.

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