- A Comissão Europeia fará reuniões nesta sexta-feira para discutir novas restrições às importações da China, diante de preocupações com a dependência europeia.
- O aumento de importações de carros elétricos, componentes e insumos médicos e alimentares é visto como China Shock 2.0, com risco de repetir padrões de desindustrialização observados no passado.
- Comissários de todos os estados-membros devem apresentar exemplos sobre atividades chinesas em 27 áreas, incluindo comércio, agricultura, defesa, saúde e iniciativas digitais.
- Não haverá decisões na reunião, mas o objetivo é alinhar o posicionamento da comissão e discutir medidas para conter a superprodução chinesa, que torna as importações até 40% mais baratas que produtos locais.
- Possíveis instrumentos incluem quotas e quotas de tarifas; no longo prazo, leis como o instrumento anti-coercitivo, Cybersecurity Act 2.0 e a legislação “made in EU” podem ser avaliadas.
A União Europeia discute, nesta sexta-feira, possíveis restrições a importações da China, em meio a preocupações com a dependência excessiva de produtos chineses. A reunião envolve comissários de todos os Estados-membros e aborda impactos sobre setores como indústria, agricultura, defesa e saúde. O objetivo é evitar uma recuperação de padrões semelhantes aos vistos no rust belt dos EUA.
A ideia é alinhar o pensamento da Comissão e considerar medidas para conter a superprodução chinesa, que torna algumas importações até 40% mais baratas que produtos locais. As discussões servirão de preparação para a cúpula de líderes em 18 de junho, na qual a China figura entre os temas.
Ignacio García Bercero, especialista em comércio, diz que a UE precisa de uma estratégia clara para lidar com a China. Ele sugere cotas de importação e limites com tarifas proporcionais, com foco em áreas como veículos híbridos e componentes químicos.
Bercero ressalta que medidas rápidas podem ser obtidas com quotas tarifárias, mas alerta para manter o engajamento com a China. A ideia é equilibrar firmeza econômica e diálogo, conforme prática de outras nações.
Especialistas observam que fábricas da UE temem autolimitar-se por depender de componentes chineses. A discussão recai sobre cadência de leis como o instrumento anti-coerção, atos de cibersegurança e a legislação “made in EU”.
Grzegorz Stec, do Merics, aponta que a China não busca destruir o negócio europeu, mas que o modelo atual favorece sua própria indústria. Ele destaca que ceder espaço para o mercado europeu pode ser um desafio para a China.
Stec afirma que a UE possui cartas fortes, pois o mercado europeu é vital para produtos de maior valor agregado. Contudo, reconhece que manter esse acesso pode provocar retaliação chinesa, exigindo preparo para possíveis respostas.
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