- O PIB dos EUA teve alta anual de um vírgula seis por cento no primeiro trimestre, abaixo da estimativa de dois por cento.
- A inflação medida pelo índice PCE subiu para três vírgula oito por cento em abril, o maior nível em três anos.
- Os gastos de consumo cresceram meio por cento, enquanto a receita caiu um décimo por cento e a poupança caiu para dois vírgula seis por cento.
- O aumento do PIB ficou impulsionado por investimentos em equipamento e propriedade intelectual (IA), enquanto o setor imobiliário recuou.
- Os preços da gasolina subiram com o conflito entre EUA e Irã, e as vendas de residências caíram seis vírgula dois por cento em abril frente a março, e treze por cento ante abril do ano anterior.
O governo dos Estados Unidos revisou para baixo o crescimento do PIB no primeiro trimestre, enquanto a inflação atingiu o maior nível em três anos. Os cálculos oficiais mostram que o PIB avançou 1,6% em termos anuais, abaixo da estimativa preliminar de 2%. A divulgação ocorreu na quinta-feira, em meio a pressões sobre o orçamento familiar e ao impacto da guerra com o Irã nos preços de energia.
A revisão revela que o consumo e o investimento tiveram leitura mais fraca do que a prevista, com destaques para revisões para baixo de gastos dos consumidores e de investimentos. Em contrapartida, houve alta nos gastos com equipamento e propriedade intelectual, impulsionados pelo desenvolvimento em IA. O setor imobiliário, porém, recuou expressivamente.
PIB e consumo: o que mudou
Analistas apontaram que o PIB real foi revisado para baixo em 0,4 ponto percentual em relação à leitura anterior. A explicação principal envolve ajustes negativos nos gastos com consumidores e nos investimentos. Mesmo assim, o crescimento anual ficou acima do registrado no quarto trimestre de 2025, quando houve alta de apenas 0,5%.
A economia continua dependente de investimentos em tecnologia e IA, enquanto o consumo é impactado por preços de energia mais elevados. Economistas destacam que o avanço depende de repiques do gasto público, exportações e dinamismo do investimento.
Inflação no radar e impactos para o bolso
O índice de inflação preferido pelo Fed, o PCE, subiu 3,8% na comparação anual até abril, frente a 3,5% em março. O resultado ficou alinhado às expectativas de analistas consultados pela imprensa financeira. O aumento acompanha o estímulo de gastos pessoais que avançaram 0,5% m/m, enquanto a receita dos americanos caiu 0,1%.
A taxa de poupança caiu para 2,6%, ante 3,2% em março, sinalizando maior pressão financeira para famílias diante de preços mais elevados e da guerra no Oriente Médio. Especialistas ressaltam que a alta energética pode manter o ritmo moderado do crescimento neste ano.
Energia, petróleo e consumo
Especialistas apontam que o encarecimento da gasolina é uma resposta direta à escalada de tensões regionais. O conflito entre EUA, Israel e Irã elevou os preços da energia, pressionando o orçamento doméstico e contribuindo para a desaceleração de alguns setores. Em abril, gastos com gasolina e derivados subiram 28,8 bilhões de dólares frente a igual período de 2025.
No setor imobiliário, as vendas de residências recuaram 6,2% na leitura anualizada de abril, em comparação com março, e caíram 11,3% diante de um ano atrás. A combinação de custos de energia mais altos e aperto do crédito influencia a demanda por moradias.
Este conjunto de dados reforça o retrato de uma economia que opera sob pressão de custo de vida elevado, ao mesmo tempo em que depende de estímulos e de setores específicos, como tecnologia e exportações, para sustentar o crescimento. As informações ajudam a entender o ambiente econômico que deve influenciar decisões de política monetária até as próximas eleições de meio de mandato.
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