- O chefe da Next alerta para uma queda dramática nas vagas de nível inicial no Reino Unido, com 19 candidaturas por vaga em 2024, ante 10 há dois anos.
- Um relatório encomendado pelo governo deve apontar falhas na redução do contingente de jovens fora da educação, emprego ou treinamento (Neet) e sugerir um “reset” do sistema de benefícios de saúde e incapacidade.
- O projeto de lei trabalhista pode tornar mais difícil contratar se houver proibição de contratos de zero-horas a partir do próximo ano, segundo o próprio executivo da Next.
- Atualmente, mais de um milhão de pessoas trabalham em contratos de zero-horas; o tema é defendido pelo governo como forma de reduzir flexibilidade unilateral, enquanto entidades defendem maior previsibilidade para os trabalhadores.
- Além de pedir corte nas contribuições de previdência dos empregadores e ajustes no salário mínimo, o executivo destacou que o crescimento econômico é a melhor solução para melhorar o mercado de trabalho juvenil.
O CEO da Next alertou para uma queda drástica no número de vagas de nível inicial no Reino Unido e no consequente aumento do desemprego entre jovens. Segundo Simon Wolfson, a rede de moda recebeu 10 candidaturas por vaga em 2024; hoje, esse número subiu para 19. Ele destacou que esse dobramento revela a magnitude da crise juvenil no mercado de trabalho.
Wolfson afirmou à BBC que a escalada de candidatos evidencia o âmago do problema, apontando para dificuldades maiores na contratação de jovens com menos experiência. O comentário foi feito enquanto um relatório encomendado pelo governo deve identificar falhas na redução do contingente de jovens fora de educação, emprego ou treino (Neet).
O relatório, liderado pelo ex-ministro Alan Milburn, sugere que o governo precisa de uma “reinicialização” do sistema, envolvendo uma revisão das políticas de benefícios de saúde e incapacidade. Milburn disse que medidas até agora foram fragmentadas e sem estratégia única.
O executivo da Next também comentou sobre a provável entrada, no próximo ano, de uma proibição de contratos por zero horas. A proposta, integrada à nova Lei de Direitos Trabalhistas, poderia restringir a flexibilidade de contratação e tornar o recrutamento mais difícil para varejistas como a empresa.
O governo classificou esses contratos como exploratórios, defendendo que a legislação cria uma base de segurança para os trabalhadores ao estabelecer horários mínimos. Atualmente, mais de um milhão de pessoas no país trabalham sob esse regime, em setores que vão de hospitalidade a saúde.
Wolfson defendeu a redução das contribuições do imposto nacional sobre a folha de pagamento (NICs) para empregadores e reajustes no salário mínimo como caminhos para melhorar o mercado de trabalho. Ele também apontou que o crescimento econômico é essencial para ampliar as oportunidades para jovens.
A rede Next informou lucro anual de até 1,2 bilhão de libras e projeção de aumento de vendas, após elevar as perspectivas para o ano. No entanto, Wolfson ressaltou que o cenário de custos elevados dificulta a manutenção de equipes em lojas físicas, enquanto o comércio eletrônico segue estável.
A automação e o uso de tecnologia também afetam as vagas de entrada. A empresa tem adotado self-checkout e outras soluções para reduzir a necessidade de caixas. Em paralelo, o governo planeja que a nova legislação obrigue horários garantidos para trabalhadores casuais, o que, segundo Wolfson, complica oferecer mais horas.
Ponto de vista do governo e impactos
O Tesouro afirmou que cortar salários para os menos remunerados não é a solução, destacando que o aumento do salário mínimo beneficia mais de 200 mil jovens. A mensagem enfatiza que a redução de NICs para jovens empregadores está contida na discussão sobre a política de contratação.
Realidade nas ruas do varejo
Dados de organizações sindicais apontam que muitos trabalhadores com contratos zero horas permanecem com vínculos estáveis de emprego, ainda que sob esse regime. O debate sobre equilíbrio entre flexibilidade e proteção permanece em aberto, com diferentes nuances entre setores.
Entre na conversa da comunidade