- A IFI identificou discrepâncias e projeções excessivamente otimistas no PLDO de 2027 enviado pelo governo, sustendo que números de receitas e despesas podem mascarar dificuldades fiscais futuras.
- O governo projeta crescimento do PIB de 2,6% em 2027, enquanto a IFI estima 2,0%; a inflação prevista é de 3,04% pelo governo e 3,52% pela IFI.
- A projeção para o mercado de trabalho diverge: o governo espera massa salarial acima de 10% ao ano até 2030, versus 7,7% pela IFI.
- A diferença de receitas para 2027 chega a 127,7 bilhões de reais, com 102,3 bilhões de reais a mais em contribuições previdenciárias no cálculo do Executivo.
- Sobre o arcabouço fiscal, a IFI aponta que metas de superávit dependem de descontos legais; em 2025 o déficit primário foi de 58,7 bilhões de reais, e a meta foi atingida apenas com exceções, mantendo preocupante trajetória da dívida.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, identificou inconsistências e projeções excessivamente otimistas no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso. O relatório aponta que as contas apresentadas podem ocultar dificuldades fiscais que o próximo presidente enfrentará após as eleições de outubro.
Segundo a IFI, os parâmetros macroeconômicos usados pelo governo divergem consideravelmente das projeções do órgão, especialmente sobre inflação, PIB, juros e câmbio. Essas diferenças impactam as estimativas de receitas, despesas e a trajetória da dívida pública para os próximos anos.
A avaliação destaca que a previsão de crescimento do PIB para 2027 é de 2,6% pelo governo, enquanto a IFI estima 2,0%. Em relação à inflação, o Planalto aponta 3,04% versus 3,52% pela instituição. A massa salarial também apresenta divergência: o governo projeta alta superior a 10% ao ano até 2030, enquanto a IFI trabalha com 7,7%.
Essas inclinações otimistas do governo, segundo a IFI, elevam as estimativas de arrecadação para 2027. A diferença chega a 127,7 bilhões de reais, com as contribuições previdenciárias representando a maior divergência, 102,3 bilhões a mais no cálculo executivo. A avaliação atribui parte do problema à projeção de expansão do emprego e da renda.
Cumprimento do arcabouço fiscal
A IFI aponta que o cumprimento de metas fiscais recentes ocorreu por meio de mecanismos excepcionais e de abatimentos autorizados por lei. O déficit primário efetivo do governo central em 2025 ficou em 58,7 bilhões de reais, mas só houve conformidade após exclusões bilionárias de despesas, como precatórios e créditos extraordinários.
O governo afirma que, mesmo com exceções que somaram 48 bilhões de reais, a meta fiscal de zerar as contas em 2025 foi cumprida, com o rombo dentro da margem de tolerância de 0,25% do arcabouço fiscal. A IFI sustenta que, apesar das exceções, os déficits primários têm ocorrido e a dívida pública continua em trajetória de crescimento.
A instituição também avalia que as metas de superávit para os próximos anos são ambiciosas e dependerão de novas fontes de arrecadação. O PLDO fixa superávits de 0,5% do PIB em 2027, avançando para 1,5% em 2030.
O Orçamento de 2027 e as estimativas até 2030 serão executados pelo presidente eleito em outubro. O governo Lula busca viabilizar a reeleição, enquanto a oposição intensifica críticas ao aumento de gastos, à dívida pública e à dependência de receitas extraordinárias para sustentar o atual arcabouço fiscal.
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