- O Plano Safra 2026/27 deve começar em 1º de julho, com discussões em curso sobre volume de recursos e regras de crédito rural.
- A CNA sugere R$ 623 bilhões em recursos, divididos em R$ 518,2 bilhões para agricultura empresarial e R$ 104,9 bilhões para agricultura familiar, alta em relação ao ciclo anterior.
- A entidade defende reforçar o seguro rural, com orçamento de R$ 4 bilhões no PSR e a aprovação do projeto de modernização do seguro rural.
- Propõe um modelo plurianual para o PAP, com previsibilidade de recursos, juros subsidiados e reserva para eventos climáticos, em vez de planos anuais.
- Também aponta prioridade a linhas de financiamento privado e programas como RenovAgro, PCA e Proirriga, além de atualizar limites da Renda Bruta Agropecuária para facilitar acesso da agricultura familiar.
O Plano Safra 2026/27 está em fase de definição. O governo planeja iniciar a vigência em 1º de julho, com entidades do agronegócio, cooperativas e ministérios articulando o volume de recursos e as regras do crédito rural. A pauta envolve orçamento, juros e instrumentos de política agrícola.
A CNA, principal representante do setor, afirma que o setor enfrenta custos elevados, juros altos e clima instável. A entidade ressalta que a produção vem sendo mantida com maior endividamento e margens pressionadas, o que torna o plano decisivo para a estabilidade.
O presidente da CNA, João Martins, entregou ao ministro da Agricultura, André de Paula, um documento com dez propostas para o PAP 2026/2027. O setor projeta um total de 623 bilhões de reais em recursos, um aumento de 53,5% frente o ciclo 2025/26.
A divisão sugerida para o crédito é de 518,2 bilhões de reais para agricultura empresarial e 104,9 bilhões para agricultura familiar. A CNA enfatiza a importância de políticas agrícolas para controlar a inflação de alimentos e a segurança alimentar.
Outra demanda é a garantia de 4 bilhões de reais no orçamento do PSR, ligado à subvenção ao prêmio do seguro rural. A entidade defende ainda a aprovação do Projeto de Lei 2.951/2024 para modernizar o seguro rural.
A CNA também propõe mudar o PAP para um modelo plurianual. Segundo o documento, o sistema atual é anual, fragmentado e sujeito a contingenciamentos, o que reduz a previsibilidade para planejar políticas públicas.
Em relação à sustentabilidade, o plano de investimento priorizaria o RenovAgro, o PCA e o Proirriga. No mercado de capitais, a entidade sugere ampliar fundos garantidores e ampliar o financiamento privado do agro diante dos limites fiscais do Tesouro.
A pauta da agricultura familiar inclui aumentar os limites de Renda Bruta Agropecuária para enquadramento no Pronaf e no Pronamp. A CNA diz ter realizado encontros regionais com federações, sindicatos e produtores para compor as propostas.
Quanto aos juros, a CNA propõe taxas diferenciadas para o crédito de custeio: até 4% ao ano para Pronaf, 9% para Pronamp e 12,5% para demais produtores. O Paraná detalha reduções em relação ao cenário atual para cada faixa.
Historicamente, a implementação dos planos não garantiu a equalização total de juros. Em 2025/26, o governo divulgou 516,2 bilhões de reais, mas o Tesouro equalizou apenas 113,8 bilhões, deixando grande parte do crédito subsidiado fora do alcance de muitos produtores.
O desafio fiscal permanece central. A equipe econômica e o Tesouro precisam conciliar responsabilidade fiscal com a magnitude do subsídio exigido pelo campo, especialmente em um ambiente de Selic elevada.
A CNA reforça que o plano precisa prever recursos com sinalização de longo prazo, para reduzir volatilidade e facilitar o planejamento de políticas públicas voltadas ao agronegócio. A expectativa é de anúncio oficial entre final de maio e início de junho.
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