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Não, a economia da Rússia não está prestes a colapsar

A economia russa não colapsa, mas desacelera; crescimento de cerca de 0,4% neste ano, com mercado de trabalho sob pressão e taxa de juros elevada

Members of a military band stand next to a screen broadcasting Russian President Vladimir Putin giving an address during the Victory Day military parade in Moscow on May 9, 2026.
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  • A economia russa desacelera, com crescimento previsto de até 0,4% neste ano, após dois anos de alta e uma contração no 1º trimestre de 2026 – não é colapso, apenas menos ritmo.
  • O déficit público ficou em 2,5% do PIB nos primeiros quatro meses, mantendo financiamento conservador e juros elevados (em torno de 14,5%), o que reduz investimentos.
  • O mercado de trabalho está sob pressão: desemprego em 2,3% e 73% das empresas relatam falta de mão de obra; estima-se déficit de cerca de 2,3 milhões de trabalhadores.
  • Migração cresce como peça do dinamismo econômico: cerca de 650 mil russos deixaram o país em 2022 e 65 mil trabalhadores indianos atuam na Rússia em empregos pouco desejados, com salários próximos de 600–700 dólares mensais.
  • Cenário futuro é incerto: o país não deverá enfrentar colapso, mas a war economy продолжa pressionando a economia; caminhos para a demobilização envolvem reestruturação industrial e possível retorno a dependência de combustíveis fósseis.

A economia da Rússia não está à beira do colapso, segundo uma análise baseada em entrevista com o economista Adam Tooze. O trecho, extraído do podcast Ones and Tooze, discute a trajetória recente e os impactos da guerra na atividade econômica do país. O tom geral é de desaceleração, não de ruptura.

Segundo Tooze, a Rússia cresceu cerca de 4% em 2023 e 2024, porém houve uma desaceleração. Em 2026, o crescimento anual deve ficar em torno de 0,4%, semelhante ao da Alemanha, apontando para uma economia estável, mas sem o impulso de antes. O petróleo alto não entrega o mesmo impulso esperado.

O governo russo atribui parte da piora a fatores como escassez de mão de obra, gasto público inadequado e sanções, enquanto busca manter altas taxas de juros para conter a inflação. As taxas já chegam a 14,5%, o que freia investimentos, ainda que o rublo permaneça relativamente forte.

A posição fiscal permanece conservadora. O déficit nos primeiros quatro meses do ano ficou em 2,5% do PIB, bem abaixo do déficit norte-americano. A conjuntura é de mistura: finanças públicas sólidas em alguns aspectos e menor crescimento em outros, acompanhada de pressão política interna.

Na prática, isso se traduz em uma economia sob tensão, com demanda por crédito mais restrita e investimentos mais baixos. O presidente Vladimir Putin convocou líderes econômicos para cobrar resultados diante das taxas de crescimento mais fracas do esperado.

Mercado de trabalho em foco

A taxa de desemprego está em 2,3%, uma marca histórica, enquanto 73% das empresas relatam falta de mão de obra. A combinação de alta procura por trabalhadores e perdas de força de trabalho devido ao conflito amplia a pressão salarial e eleva a necessidade de crédito.

O debate fica mais complexo quando se observa a migração. Relatos indicam redução de trabalhadores migrantes que vinham de Ucrânia e do mark de repúblicas da Ásia Central, impactando setores industriais e de serviços. Economistas estimam déficit de cerca de 2,3 milhões de trabalhadores.

A penúria de mão de obra na indústria levou a substituir cargos com mão de obra estrangeira por trabalhadores de outros países. Em dados recentes, há 65 mil trabalhadores indianos atuando em funções de menor qualificação, com salários de cerca de US$ 600 a 700 por mês.

Inovação militar e efeitos econômicos

A guerra também alimenta discussões sobre capacidades bélicas e tecnologia. Ucrânia tem se destacado no desenvolvimento de drones, provocando críticas de grandes fabricantes europeus sobre a eficácia de soluções mais simples. Analistas destacam que a experiência ucraniana pode influenciar decisões de aquisição na Europa.

Dentro da Alemanha, há debates entre fabricantes tradicionais e produtores de drones sobre qual caminho seguir. A discussão envolve contratos de defesa, custos, inovação tecnológica e a resposta a necessidades imediatas de combate.

Perspectivas e cenários

Especialistas destacam que a Rússia não enfrenta uma recessão aguda; ao contrário, há uma mudança de ritmo na economia de guerra. Mesmo com o retorno de crescimento mais lento, não se observa um colapso econômico. O desafio é manter equilíbrio entre gastos, crédito e produção.

Se a guerra terminar, há cenários de redução de demanda por indústria bélica e de desmobilização econômica. Alguns analistas sugerem que qualquer acordo poderia exigir reparações ou participação russa em reconstrução de Ucrânia, o que influenciaria o enquadramento econômico pós-conflito.

No horizonte, a possibilidade de retorno a um modelo econômico mais vulnerável ao uso de combustíveis fósseis permanece sob análise. A conversa entre especialistas, governos e o setor privado continua a moldar as previsões para a economia russa nos próximos anos.

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