- Daniel Goldberg, CEO e CIO da Lumina Capital Management, vê oportunidades em “mini ciclos” de crédito no Brasil, com foco em ativos líquidos.
- A Lumina administra mais de US$ 4 bilhões e levantou US$ 1,5 bilhão para o Lumina Fund III, com a maior parte já alocada nesses ativos líquidos.
- Setores monitorados incluem energia renovável, saúde, químicos, software e agronegócio, com energia renovável como tema principal devido à expansão da geração solar e riscos de cortes por transmissão.
- A gestora criou uma mesa dedicada à compra de créditos inadimplentes do agronegócio e ao apoio à reestruturação de empresas do setor, beneficiando-se de juros reais mais altos e securitizações isentas de impostos.
- A Lumina expandiu operações para os Estados Unidos, com escritório em Miami, planeja unidade em Londres e detém entre 30% e 40% dos ativos fora da América Latina.
Daniel Goldberg, CEO e CIO da Lumina Capital Management, aponta oportunidades no Brasil em meio a custos de financiamento elevados e dívidas empresariais crescentes. Em entrevista à Bloomberg News, ele afirma que os ativos líquidos oferecem uma das melhores oportunidades dos últimos 10 anos ou mais.
A Lumina administra mais de US$ 4 bilhões e, sob a liderança de Goldberg, tem direcionado grande parte de seu capital para ativos líquidos, até então menos frequentes na gestão da empresa. A gestora tucou operações com foco em mercados privados, sinalizando uma mudança de estratégia.
O interesse pelo Brasil surge em um momento de alta no custo de capital e de pressão de dívida corporativa. A empresa tem monitorado setores como energia renovável, saúde, químicos, software e agronegócio, com ênfase em ativos líquidos.
Setores em foco
No setor de energia renovável, a Lumina destaca a expansão da geração solar, incluindo a distribuída. Conforme Goldberg, a expansão rápida sobrecarregou a rede de transmissão e elevou o risco de cortes de produção para geradoras.
A gestora abriu uma mesa dedicada à compra de créditos inadimplentes do agronegócio e ao apoio a reestruturações de empresas do setor. Há avanço de juros reais mais altos e maior uso de securitizações isentas de impostos no agronegócio.
Mudanças no arcabouço de reestruturação no Brasil também favorecem produtores rurais, ampliando o acesso a mecanismos de recuperação judicial. Esses fatores criam espaço para operações de crédito e reestruturação no campo.
Expansão internacional e perspectivas
Além do Brasil, a Lumina enxerga oportunidades em healthtech e gestão de riscos no setor de saúde, com ajuste de seguradoras e operadoras hospitalares após a pandemia. A empresa ampliou atuação para os Estados Unidos, com operações privadas de crédito e soluções estruturadas.
A Lumina abriu recentemente um escritório em Miami e planeja abrir uma unidade menor em Londres ainda neste ano, visando financiamento de litígios e disputas regulatórias na Europa. A diversificação internacional faz parte da estratégia, sem objetivo de crescimento como fim em si.
Segundo Goldberg, entre 30% e 40% dos ativos já estão fora da América Latina, principalmente nos EUA, e a atuação em Londres busca ampliar financiamento de litígios e questões antitruste na Europa e no Reino Unido.
A gestão ressalta que a estabilidade de marcos legais e regulatórios no Brasil é mais relevante que o cenário político local. A volatilidade regulatória é citada como fator negativo, enquanto previsibilidade legal é apontada como fator positivo para investimentos.
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