- Cerebras estreou na Nasdaq com alta de 68%, fechando a sessão a US$ 311,07 por ação.
- A empresa captou US$ 5,5 bilhões no IPO, o maior já para semicondutores nos Estados Unidos.
- O valor de mercado ficou entre US$ 67 bilhões (apenas ações em circulação) e até US$ 83 bilhões com warrants e ativos conversíveis.
- Andrew Feldman, CEO e cofundador, viu seu patrimônio alcançar a casa dos bilhões após a abertura de capital.
- OpenAI já utilizou a infraestrutura da Cerebras; a Amazon planeja integrar chips da empresa aos processadores Trainium.
A Cerebras iniciou as negociações na Nasdaq com forte valorização, elevando-se 68% na estreia após abrir a cotação em 185 dólares e encerrar o pregão em 311,07 dólares. A operação captou 5,5 bilhões de dólares, tornando-se o maior IPO de semicondutores já registrado nos EUA.
O acordo impulsionou o valor de mercado da empresa, que ficou em cerca de 67 bilhões de dólares apenas com as ações em circulação. Considerando papéis conversíveis, opções e warrants, a avaliação sobe para aproximadamente 83 bilhões de dólares.
Andrew Feldman, cofundador e CEO da Cerebras, viu seu patrimônio crescer com a abertura de capital. O executivo afirma que a corrida pela IA está no estágio inicial e que é preciso escalar a capacidade computacional para acompanhar a adoção da tecnologia.
Parcerias estratégicas e contexto de mercado
A Cerebras já conta com clientes de peso no setor de tecnologia. Em fevereiro, a OpenAI utilizou pela primeira vez a infraestrutura da empresa para rodar um de seus modelos de IA, com a emissão de 33,4 milhões de warrants vinculados a metas de desempenho. Parte desses direitos dependia de uma avaliação superior a 40 bilhões de dólares, meta superada já no primeiro dia.
A Amazon também sinalizou planos de integrar os chips da Cerebras aos processadores Trainium, desenvolvidos pela própria empresa para cargas de IA. Embora os contratos finais ainda estejam sujeitos a negociações, as partes afirmam que a parceria deve ser concluída.
Historicamente, antes do IPO, houve discutidas avaliações de aquisição pela ARM Holdings e pelo SoftBank, conforme fontes. As conversas, no entanto, não avançaram. A operação ocorre em um momento em que o mercado de infraestrutura de IA — especialmente o segmento de inferência — tem atraído grande interesse.
O processo de listagem também enfrentou episódios regulatórios anteriores. Em 2024, a Cerebras suspendeu o pedido inicial de IPO após questionamentos do comitê de investimentos estrangeiros dos EUA, o CFIUS, ligado à relação com a G42, empresa de IA sediada em Abu Dhabi. O caso foi encerrado em março de 2025, liberando a empresa para seguir com os planos.
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