- Grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, protocolou recuperação judicial para a empresa e subsidiárias em São Paulo, sob segredo de justiça, com aprovação do conselho em 11 de maio.
- Pedido foi feito à Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do estado de São Paulo.
- A instituição cita ambiente macroeconômico desafiador, juros elevados, endividamento das famílias e crédito mais restrito como fatores que reduziram a confiança do consumidor e atrasaram decisões de compra no setor de móveis.
- O objetivo da recuperação judicial é manter operações, preservar empregos e viabilizar uma reestruturação ordenada do endividamento e da estrutura de capital.
- A empresa encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 401 milhões, e o recém-divulgado balanço mostra queda na receita para R$ 1,5 bilhão, com melhoria na margem EBITDA e na margem bruta, apesar das despesas financeiras pressionarem o resultado líquido.
O Grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial para a empresa e as subsidiárias. A decisão foi tomada pelo conselho de administração em reunião de urgência realizada no dia 11 de maio e anunciada nesta terça-feira, 12, via fato relevante.
O pedido foi protocolado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, com segredo de justiça. A companhia aponta o ambiente macroeconômico como fator central para a deterioração de sua situação financeira.
A atual conjuntura envolve juros elevados, maior endividamento das famílias e crédito mais restrito, o que impacta a confiança do consumidor e posterga compras de móveis e decoração. Restrições de estoque temporárias também contribuíram para a menor liquidez de curto prazo.
Mesmo com negociações para reestruturação, o passivo persiste e se agrava, segundo a administração. O objetivo da recuperação judicial é manter as operações, preservar empregos e viabilizar uma reestruturação ordenada do endividamento e da estrutura de capital.
A empresa encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 401 milhões, queda em relação aos R$ 592 milhões de 2024, conforme demonstrações financeiras apresentadas em março. O grupo vem promovendo um processo de reestruturação desde a fusão entre Mobly e Tok&Stok, em 2024.
Reestruturando o endividamento
Em abril, o executivo-chefe Victor Noda confirmou a possibilidade de nova rodada de conversão de dívida com credores, incluindo Bradesco, Santander, Banco do Brasil e membros da família Dubrule. A meta era reduzir entre R$ 300 milhões e R$ 480 milhões de dívida.
A parceria com SPX Capital, que já detinha participação após converter ativos do Carlyle, resultou na queda de valor contábil da dívida e na participação de 11% da companhia, correspondente a R$ 230 milhões. A operação ocorreu durante a etapa de readequação financeira.
No balanço anual consolidado divulgado em 31 de março, a receita líquida somou R$ 1,5 bilhão. A margem EBITDA avançou de menos de 5% para quase 16%, e a margem bruta aumentou de 46% para quase 53%. A despesa financeira manteve pressão sobre o resultado líquido.
O pedido de recuperação judicial aguarda a ratificação de uma Assembleia Geral Extraordinária, cuja convocação foi aprovada em 11 de maio pelo conselho. A finalidade é dar continuidade às operações sob proteção judicial.
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