- MRV Incorporação teve lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, 7,4 vezes maior que igual período do ano anterior, com margem bruta estável em 31% na comparação trimestral.
- A margem foi a primeira a permanecer sem alta desde o segundo trimestre de 2022, considerado um ponto fora da curva pelo CFO Ricardo Paixão, que vê possibilidade de melhoria no ritmo anterior no futuro.
- O atraso na expansão da margem ficou associado ao aumento de custos com inflação, agravado pela guerra no Oriente Médio, elevando projeções de custo sobre empreendimentos já lançados em dois pontos percentuais.
- O governo alterou o programa Minha Casa Minha Vida, aumentando o poder de compra dos clientes e abrindo espaço para reajustes de preço, o que deve aparecer parcialmente nos resultados do segundo trimestre.
- A MRV&Co, grupo que reúne MRV, Urba, Luggo e Resia, terminou o trimestre com prejuízo líquido ajustado de R$ 14,4 milhões, influenciado pela Resia, que registrou prejuízo de R$ 120 milhões; a empresa mantém plano de desinvestimento para reduzir alavancagem.
A MRV Incorporação, principal negócio do grupo MRV&Co, teve lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no 1º trimestre de 2026, 7,4 vezes maior que igual período do ano anterior. A margem bruta ficou estável em 31% na comparação trimestral, apesar de aumento de 3,7 p.p. em 12 meses. O desempenho marca a primeira interrupção do ciclo de alta da margem desde 2T/2022.
O CFO Ricardo Paixão disse à Bloomberg Línea que o cenário não indica reversão da tendência de bons resultados. Ele afirmou que o quadro atual foi “ponto fora da curva” e que, olhando adiante, é possível manter ritmo de melhora similar ao anterior.
A alta de custos ficou pressionada pela inflação de insumos de construção, agravada pela guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio. A MRV revisou de forma conservadora a inflação esperada, elevando em dois pontos percentuais o custo de empreendimentos já lançados. O efeito deve impactar obras em andamento.
Prejuízo e desinvestimento da Resia
A MRV&Co encerrou o trimestre com prejuízo líquido ajustado de R$ 14,4 milhões, influenciado pela subsidiária americana Resia, que registrou prejuízo de R$ 120 milhões. A Resia também teve venda de ativo com valor abaixo do registrado no balanço, ampliando o déficit.
Para reduzir a alavancagem, a companhia mantém o plano de desinvestimento e espera vender ativos relevantes até o fim de 2026. O resultado consolidado também foi afetado pelo descompasso entre produção e repasses, com média de 3.200 unidades produzidas por mês versus 2.700 repassadas.
Perspectivas e médio prazo
No período, a receita líquida consolidada da MRV&Co somou R$ 2,776 bilhões, alta de 21,6% ante 1T/2025, enquanto as despesas operacionais chegaram a R$ 444,5 milhões, crescimento de 6,5% na base anual. Paixão avalia que o segundo trimestre deve apresentar maior receita e vendas, voltando a trajetória de resultados mais fortes.
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