- Em Brasília, no Congresso da Abramilho, líderes discutem mudanças estruturais no crédito rural diante da queda de commodities, juros elevados, endividamento e restrições da União Europeia às proteínas brasileiras.
- A senadora Teresa Cristina chamou a situação de “tempestade perfeita” e destacou a combinação de preços baixos, insumos caros e dólar em queda, reunindo ministro, vice‑presidente e bancada ruralista.
- O debate envolve o PL 5122, com estimativa de refinanciamento total de até R$ 170 bilhões; a proposta inclui avaliação de garantia de crédito e defesa de um fundo garantidor específico para o setor.
- Deputado Pedro Lupion afirmou que o plano safra atual está vencido e defendeu nova lei de seguro rural e planejamento de safra de cinco anos, com atuação de Estado, não de questões ideológicas.
- A União Europeia anunciou restrições a carnes brasileiras; o ministro André de Paula disse que o Brasil seguirá exportando e que haverá continuidade de reuniões, com avanços previstos em temas como Proagro e crédito via FINAME.
O Congresso da Abramilho recebeu nesta quarta-feira (13) lideranças do agronegócio para discutir o Plano Safra 2025/26 diante de uma confluência de pressões: queda de commodities, juros altos, endividamento e novas restrições da União Europeia às proteínas brasileiras. O tom foi de alerta sobre o que os participantes chamaram de tempestade perfeita.
Entre os presentes estavam o ministro da Agricultura, André de Paula; o vice-presidente Geraldo Alckmin; o deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária; além de senadoras e lideranças rurais. A pauta incluiu propostas para mudanças estruturais no crédito rural.
Considerada essencial para o produto nacional, a renegociação de dívidas ganhou peso na discussão. O PL 5122, já aprovado na Câmara, visa ampliar o refinanciamento para até cerca de 170 bilhões de reais, envolvendo bancos públicos e privados. A falta de garantias foi apontada como principal entrave.
Propostas para o crédito e o seguro rural
Teresa Cristina defendeu a criação de um fundo garantidor específico para a agricultura, alinhado a modelos já usados pelo setor industrial. Segundo ela, o recurso facilitaria o acesso a crédito com condições estáveis e ajudaria a reduzir a pressão sobre o custo financeiro.
Pedro Lupion afirmou que o atual Plano Safra está defasado e precisa de uma visão de longo prazo, semelhante ao Farm Bill americano, com planejamento de cinco anos. A ideia é tornar a safra uma política de Estado, minimizando impactos de mudanças ideológicas.
André de Paula sinalizou ações em curso para tornar o crédito mais acessível, como a extensão de prazos do Proagro e ajustes em linhas de financiamento do FINAME. O ministro também mencionou evolução de medidas para melhorar o custo e a disponibilidade de insumos.
Desafios com a União Europeia e perspectivas
A reunião ocorreu após a Comissão Europeia impor restrições a carnes brasileiras, o que ampliou a pressão sobre exportações. O ministro afirmou que o Brasil manterá contatos técnicos com a UE para esclarecer a situação, sustentando exportações contínuas conforme acordos vigentes.
Alckmin avaliou que o acordo Mercosul-UE, já em vigência provisória, oferece salvaguardas para o comércio brasileiro. Em paralelo, citou planejamentos para reduzir custos do setor, incluindo compras de máquinas e novidades em logística e fertilizantes.
Entre as ações anunciadas estão: redução de juros do FINAME, retomada parcial da produção de fertilizantes nitrogenados pela Petrobras e validação de licenças para a mina de potássio em Autazes. Também foi enfatizado o avanço de medidas para o etanol de milho, que pode elevar a participação de etanol na gasolina.
O tema do crédito segue como eixo da agenda, com a expectativa de que o governo presente novas propostas no próximo Plano Safra, incluindo mecanismos de garantia e previsibilidade de investimento para regiões produtoras.
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