- Mais de 1.200 lobistas registrados atuam no Capitólio toda segunda-feira, representando grandes lobbies e bancos, com gastos significativos todos os anos.
- O setor financeiro é o financiador mais presente em Washington, movimentando centenas de milhões de dólares para influenciar regras que afetam um mercado de US$ 24 trilhões.
- Individualmente, JPMorgan Chase gastou US$ 3,6 milhões em lobby federal em 2024 e US$ 8 milhões em doações políticas no mesmo ciclo; o Bank of America reportou US$ 2,4 milhões em lobby federal, mais outros US$ 8,1 milhões em despesas com associações do setor.
- O alinhamento partidário revela preferência republicana entre bancos comerciais, com exceções estratégicas para bancos de investimento e corretoras; mudanças ocorreram ao longo do tempo conforme interesses regulatórios.
- Os bancos chegaram a conseguir atalhos regulatórios: a Dodd-Frank foi enfraquecida em 2018, e, no caso do Basileia III, houve redução líquida de 4,8% nas exigências de capital CET1 para os maiores bancos, segundo recente reconfiguração regulatória.
Nos Estados Unidos, a influência de Wall Street se consolidou como uma máquina de lobby que opera todos os dias no Capitólio. Mais de 1.200 lobistas registrados percorrem as dependências, carregando cartões de bancos e grandes lobbies. O objetivo: moldar regras para um setor de US$ 24 trilhões, com gastos anuais acumulando centenas de milhões de dólares.
A indústria financeira lidera em presença e pacotes de lobby. Bancos, seguradoras, corretoras e interesses imobiliários mantêm uma atuação constante, superando outros setores. Dados de 2024 indicam que o JPMorgan Chase destinou US$ 3,6 milhões ao lobby federal, com US$ 8 milhões em contribuições políticas no ciclo.
O Bank of America informou US$ 2,4 milhões em despesas diretas com lobby federal, somadas a mais US$ 8,1 milhões repassados a associações setoriais para atividades de lobby, segundo divulgou ao longo do ano. Críticos apontam que esse formato pode ocultar o verdadeiro tamanho dos gastos.
A contrapartida histórica mostra inclinações partidárias variáveis ao longo do tempo. Bancos comerciais tendem a favorecer o GOP, enquanto bancos de investimento costumam apoiar o Partido Democrata, com exceções estratégicas em momentos de crise.
A Dodd-Frank e o Basel III
Entre as ações mais relevantes, houve o enfraquecimento da Dodd-Frank em 2018, após uma intensa campanha de lobby. O objetivo era reverter parte das regras implementadas após a crise de 2008. A pauta regulatória ganhou força com a discussão sobre Basel III.
Em 2023, reguladores propuseram novas exigências de capital para bancos com ativos acima de US$ 100 bilhões, alinhadas a Basel III. As propostas indicavam aumento de capital de nível 1 em média de 16%, o que motivou reação pública dos bancos.
Sob a gestão Trump, as regras passaram por revisões, culminando em 2026 com uma versão que reduziu, na prática, o capital CET1 requerido em 4,8% para os maiores bancos. A indústria afirmou que as mudanças beneficiaram consumidores, críticos discordaram.
Os especialistas destacam que o dinheiro movimentado visa acesso e narrativa junto a reguladores. Mesmo com avanços regulatórios, a indústria não impediu a Dodd-Frank nem a criação do Consumer Financial Protection Bureau, mas influenciou pontos-chave de implementação.
A depender do julgamento, o lobby financeiro continua a moldar o cenário regulatório ao menor custo possível para os acionistas. Em qualquer avaliação, o investimento da banca permanece acima de muitos setores, sempre com foco estratégico de curto e longo prazo.
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