- A Archer-Daniels-Midland revisou para cima sua previsão de lucro ajustado para 2026, estimando entre US$ 4,15 e US$ 4,70 por ação, citando melhoria nos negócios de esmagamento e etanol e clareza sobre mandatos de biocombustíveis nos EUA.
- No trimestre encerrado em 31 de março, a ADM registrou lucro ajustado de US$ 0,71 por ação, acima da média de estimativas de US$ 0,66.
- A unidade de esmagamento da ADM teve prejuízo operacional de US$ 79 milhões no trimestre, devido a perdas de marcação a mercado, ainda que tenha processado volumes maiores e com margens melhoradas.
- O aumento dos preços do petróleo elevou o óleo de soja, impulsionando as margens de esmagamento de soja na América do Norte para níveis elevados desde 2022.
- No conjunto de serviços agrícolas e sementes oleaginosas, o lucro operacional caiu 34% ante o ano anterior, embora o desempenho tenha sido beneficiado pelo maior embarque de soja e sorgo para a China e por exportações fortes de milho.
A Archer-Daniels-Midland (ADM) elevou sua previsão de lucro para 2026 após apresentar resultados trimestrais acima das expectativas. A empresa informou lucro ajustado de 71 centavos por ação no trimestre encerrado em 31 de março e citou o avanço dos biocombustíveis como driver, além de clareza sobre mandatos de mistura nos EUA. A seção de esmagamento de sementes oleaginosas e o etanol aparecem como pontos-chave.
A ADM detalhou que o guidance para 2026 passou a ficar entre US$ 4,15 e US$ 4,70 por ação, ante faixa anterior de US$ 3,60 a US$ 4,25. Segundo a empresa, a melhora ocorre com a conclusão das obrigações de volume renovável para 2026 e 2027 e com menor incerteza regulatória.
A companhia ressaltou que a aprovação de regras de biocombustíveis está fornecendo uma estrutura estável para o planejamento. A gestão citou entre os motivos a previsível demanda de processos de esmagamento e etanol nos próximos anos.
Mudanças de cenário e comparação com pares
Na semana passada, a Bunge Global também elevou sua projeção de lucro anual, citando margens fortes em sementes oleaginosas e demanda por biocombustíveis. A ADM, porém, reportou resultados mistos entre suas operações.
O lucro ajustado por ação superou a projeção dos analistas, de 66 centavos, conforme dados da LSEG. A unidade de esmagamento apresentou prejuízo operacional de US$ 79 milhões, ante lucro de US$ 47 milhões no ano anterior, explicado pela marcação a mercado.
A ADM informou que as margens de esmagamento de soja na América do Norte subiram para patamares elevados, sustentadas pelo aumento de preços do óleo de soja impulsionado pela elevação nos preços do petróleo. Isso contrasta com o desempenho do segmento de serviços agrícolas e sementes oleaginosas, cuja margem caiu.
No trimestre, a área de serviços agrícolas registrou US$ 273 milhões de lucro operacional, queda de 34% ante o mesmo período de 2023. Mesmo assim, a empresa destacou volumes maiores de processamento e exportações fortalecidas.
Contexto de demanda e exportações
Quase ao mesmo tempo, as exportações norte-americanas de soja e sorgo avançaram para a China, reforçando a demanda por óleo e farelos. A China retomou compras de soja e sorgo dos EUA após uma trégua comercial no fim de outubro, ampliando a demanda por produtos da ADM.
A companhia, com sede em Chicago, afirma que o ambiente de margens melhorou apesar das incertezas regulatórias anteriores. O mercado de biocombustíveis continua a ser um fator relevante para o desempenho da empresa no curto e médio prazo.
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