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Acordos comerciais de Trump com o Sudeste Asiático ficam em suspensão

Malásia cancela acordo comercial com Washington; região reage com cautela diante da incerteza jurídica e da nova estratégia tarifária dos EUA

U.S. President Donald Trump is seen at the Association of Southeast Asian Nations summit in Kuala Lumpur, Malaysia, on Oct. 26, 2025.
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  • Após a decisão do Supremo Tribunal dos EUA, em fevereiro, que invalidou as tarifas amplas de Trump, a Malásia tornou-se o primeiro país a cancelar formalmente seu acordo comercial com Washington.
  • O Ministério do Comércio malaio afirmou que o acordo é nulo e sem efeito, frase que mais tarde gerou retratação, mantendo o debate sobre o fim do acordo.
  • Seis países do Sudeste Asiático passaram a ser alvo de investigações da Seção 301 dos EUA por supostas violações ligadas a fabricação excessiva e trabalho forçado; Vietnã é prioridade na proteção de propriedade intelectual e a Indonésia está na lista de observação.
  • Vietnã sinaliza interesse em continuar o comércio com os EUA e aumentar compras de produtos norte‑americanos, enquanto parceiros da região buscam renegociar de forma cautelosa.
  • Indonésia mantém o acordo, mas com dúvidas sobre regras e isenções, e Filipinas e Singapura adotam postura contida, esperando entender como a recalibração das tarifas pode afetar seus interesses.

Malaysia cancela oficialmente acordo tarifário com a Casa Branca após decisão da Suprema Corte dos EUA. O ministro do Comércio malaio, Johari Abdul Ghani, afirmou em março que o acordo não está suspenso, está “nulo e sem efeito”. O comentário foi confirmado em seguida pelo ministério.

O contexto envolve decisões do governo dos EUA sob Donald Trump, que busca novas formas de pressão econômica, como tarifas setoriais e investigações da seção 301. A Malásia passa a ser o primeiro país a romper formalmente o acordo em vigor com a administração Trump.

Entre os países do Sudeste Asiático, seis estão sob investigações da seção 301 dos EUA por supostas violações comerciais, produção excedente e trabalho forçado. Vietnã e Indonésia figuram como alvos ou observados, com possibilidades de medidas retaliatórias futuras.

Reações regionais

A possibilidade de retaliação adicional torna improvável que outros países da região sigam o exemplo da Malásia, ao menos no curto prazo. Parceiros dos EUA na região avaliam renegociar acordos ou adotar cautela diante de mudanças legais que limitam ações do governo norte-americano.

Vietnam mantém abertura para negociações comerciais e sinaliza disposição para aumentar compras de produtos dos EUA, ainda que ajuste a estratégia diante da incerteza. O país também participou de encontros regionais com a China para ampliar cooperação econômica.

Thailand e Indonésia respondem de maneiras distintas. Bangkok discute possíveis ajustes, enquanto Jakarta segue com o acordo em vigor, mas com dúvidas sobre regras de origem e critérios de isenção, mantendo a apuração sobre ratificação parlamentar.

Filipinas e Singapura não divulgaram posicionamentos públicos desde a decisão da Suprema Corte, adotando postura mais contida. Ambos avaliam impactos sobre cadeias de suprimentos, comércio e serviços financeiros, mantendo cuidados com a política externa e a segurança regional.

Em síntese, a região adota estratégia de hedging diante da nova fase regulatória dos EUA. A Malásia é a exceção ao romper o acordo, enquanto outros países ajustam negociações e mantêm vias de diálogo com Washington, sem abrir mão de interesses estratégicos.

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