- O óleo de soja foi o destaque de alta no primeiro trimestre, com alta de 43,48% de janeiro a março, impulsionado pela elevação do petróleo e pela demanda por biocombustíveis; o contrato para maio ficou em torno de 69,68 centavos de dólar por libra.
- O petróleo mais alto elevou custos de insumos, logística e fertilizantes, fortalecendo a pressão sobre custos de produção e contribuindo para ganhos em oleaginosas e trigo.
- O Estreito de Ormuz foi apontado como fator de risco para oferta e demanda de cereais e oleaginosas, com a duração do bloqueio determinando impactos nos preços das novas safras.
- Café e cacau recuaram: o café caiu cerca de 14,5% no trimestre; o cacau caiu cerca de 45,6% desde os picos de 2024/25, após ajustes de demanda e oferta.
- No campo, trigo duro vermelho de inverno e trigo mole vermelho de inverno subiram, enquanto estoques de cacau e produção global indicam recomposição de oferta, com previsão de aumento na safra de 2026/27 e estoques elevados na África Ocidental.
O primeiro trimestre de 2026 mostrou um retrato recente para o agro, em que o estreitamento do Estreito de Ormuz elevou custos logísticos e de fertilizantes, influenciando as cotações de várias commodities. O petróleo em alta foi o principal vetor de pressão sobre a cadeia produtiva.
Os órgãos do mercado destacam que a elevação do barril impactou insumos, transporte e margens dos produtores, favorecendo algumas oleaginosas e trigo, enquanto café e cacau recuaram diante de dinâmicas próprias de oferta, demanda e ajustes de preço no curto prazo.
O cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas, influenciou a direção de preços, com operadores atentos a eventuais mudanças na política de biocombustíveis e em regulações comerciais que afetem o fluxo de commodities agrícolas.
Óleo de soja em alta
O óleo de soja liderou as altas, impulsionado pela elevação do petróleo e pela demanda ligada a biocombustíveis. Em Chicago, o contrato de maio superou 69 centavos de dólar por libra, próximo a máximos de 2022, conforme o mercado antecipou maior uso de insumos agrícolas.
A alta também refletiu a expectativa de reajustes na Oferta Renovável de Combustíveis e na obrigatoriedade de mistura, ampliando a demanda por soja e milho. Analistas apontam que isso pode sustentar margens de produtores, mesmo com custos elevados.
No cenário externo, produtores de milho e soja foram impactados pela possível redução de áreas plantadas, contribuindo para a elevação de preços no curto prazo. Especialistas destacam que o peso dos fertilizantes continua relevante para o custo total.
Trigo em sinal de alta, café e cacau caem
O trigo duro vermelho de inverno e o trigo mole vermelho de inverno registraram elevações, apoiadas por interrupções no fornecimento e tensões climáticas nas regiões produtoras. Ainda assim, café e cacau adotaram trajetórias de decréscimo.
O café chegou a recuar conforme melhora nas perspectivas de oferta em países-chave, algumas safras favoreceram a colheita e reduziram a pressão de preços. O cacau, por sua vez, corrigiu após picos recentes, com sinais de menor demanda global.
Dados de demanda na Europa indicam moagens fracas no último trimestre de 2025, reforçando o recuo de preços do cacau e contribuindo para estoque ajustado no curto prazo.
Sinais de oferta e demanda impactam as margens
O mercado de cacau aponta para um excedente estimado pela Marex Group, com estoques elevados em Costa do Marfim e Gana. No café, a demanda desacelerou e houve queda nas exportações brasileiras, que recuaram de 50,4 para 38,8 milhões de sacas em 12 meses.
O Rabobank aponta que a produção mundial de café pode subir em 2026/27, com viés de superávit, influenciando negativamente os preços. O Citi Research observa pressões adicionais sobre o preço diante da ampliação da oferta global.
Perspectivas e fatores determinantes
Especialistas destacam que o custo de insumos e energia continuará a ser motor central para grãos e oleaginosas. Mudanças regulatórias em EUA e Europa também devem moldar o comportamento dos estoques e dos contratos no curto e médio prazo.
A combinação de geopolítica, preços de energia e logística segue sendo fator decisivo para o ajuste dos mercados agro, com impactos diferentes conforme o tipo de cultura e a região produtora.
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