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O livre comércio está morto em Washington

Washington abandona acordos globais; foco em blocos setoriais e tarifas para conter a China, elevando preços ao consumidor e arriscando o crescimento

Cargo ships and cranes are partially obscured by fog at the Port of Shanghai on Feb. 16, 2025
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  • Existe um consenso em Washington de abrir mão de acordos comerciais globais e avançar com acordos setoriais limitados, apoiados por tarifas e políticas industriais, com foco na segurança econômica e na China.
  • A mudança começou no fim do governo Obama e ganhou impulso com a administração Trump, que elevou tarifas, e permaneceu sob Biden, que manteve a linha protecionista; hoje o esforço é negociar acordos bilaterais e setoriais em vez de grandes tratados.
  • Em preparação para conversas com a China, EUA e China discutem um “Board of Trade” (mecanismo de equilíbrio comercial) para restringir exportações chinesas e ampliar exportações americanas.
  • No cerne das estratégias estão chips e semicondutores, com subsídios ampliados nos EUA (CHIPS Act) e tarifas sobre importações da China para fortalecê-los.
  • Um plano europeu é criar uma “zona de comércio preferencial para minerais críticos” com piso de preço para minerais raros, visando reduzir a dependência da China, apesar de críticas sobre necessidade de subsídios ao longo da cadeia produtiva.

Donald Trump empurra a política migrando para uma economia de confrontos, mas há um consenso em Washington sobre trade que surge de décadas de debate. A ideia central atual não é ampliar acordos globais, e sim construir pactos com países selecionados, com foco setorial e uso de tarifas para reforçar a segurança econômica.

O esforço busca reduzir a dependência de China por meio de políticas industriais e acordos bilaterais que condicionem políticas comerciais de terceiros. Pesquisadores e ex-funcionários destacam que a mudança começou nos últimos anos da gestão Obama e ganhou impulso com a administração Trump, mantendo presença durante a era Biden.

Novo eixo de negociação

A cada rodada de conversas com Pequim, há indicações de um quadro de negociação que privilegia o equilíbrio de comércio e restrições a exportações chinesas. Em paralelo, democratas adotam tarifas como ferramenta estratégica, mesmo com críticas internas sobre impactos a fabricantes e consumidores.

O objetivo é alinhar parâmetros de segurança econômica com acordos que envolvam menos na ampla liberalização comercial, deslocando o foco para setores específicos como minerais críticos e semicondutores. De acordo com analistas, o consenso atual tende a privilegiar o uso de tarifas associadas a políticas industriais.

Setores prioritários

Entre as frentes, os esforços se concentram em semicondutores, com subsídios condicionados a investimentos nos EUA, apoiados por leis como o CHIPS Act. Também há mobilização para criar um regime de minerais críticos que estabeleça piso de preços e barreiras a importações subsidiadas.

Críticos apontam que tarifas elevadas elevam o custo para consumidores e prejudicam fabricantes que dependem de insumos importados, possivelmente freando o crescimento econômico. Além disso, a negociação individual com parceiros pode gerar desassociações e recriar incentivos para fornecedores se afastarem do país.

Panorama histórico

O debate remete aos anos 80, quando houve tentativas de limitar importações para proteger indústria nacional. Hoje, a discussão envolve décadas de políticas com diferentes administrações, que buscaram coalizões de países dispostos a seguir a agenda direcionada aos EUA e a China.

Especialistas observam que a estratégia atual evita grandes acordos multilaterais, privilegiando acordos bilaterais que poderiam oferecer ganhos rápidos em setores chave. A avaliação é de que o caminho pode enfrentar resistência de aliados e desafios de implementação.

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