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Raízen propõe converter dívida em ações, credores assumem participação

Raízen propõe converter dívida em ações; credores poderiam deter até 70% das ações, com carência de cinco anos e maior influência sobre a empresa

Plano abriria caminho para uma eventual separação entre a unidade de açúcar e etanol dos negócios de distribuição de combustíveis (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
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  • A Raízen apresentou aos credores um plano de reestruturação de US$ 12,6 bilhões com carência de pelo menos cinco anos e participação acionária relevante para credores.
  • A proposta prevê a conversão de ao menos quarenta e cinco por cento da dívida em ações, o que poderia levar credores a ter até setenta por cento das ações ordinárias se o papel for precificado em cerca de US$ 0,40.
  • A alavancagem da companhia cairia para entre três e três e meio vezes o Ebitda, comparado a cinco e três hoje, abrindo caminho para possível separação entre a unidade de açúcar e etanol e o negócio de distribuição de combustíveis.
  • Credores poderiam indicar três dos sete membros do conselho, enquanto a Shell indicaria os outros quatro; Raízen e Cosan não comentaram.
  • A Shell já concordou em investir R$ 3,5 bilhões; o fundador da Cosan, Rubens Ometto, planeja aportar mais R$ 500 milhões, buscando manter a presidência do conselho e uma cláusula de poison pill.

A Raízen apresentou aos credores um plano para reestruturar US$ 12,6 bilhões em dívida, incluindo um período de carência de pelo menos cinco anos. A proposta prevê que os credores assumam participação acionária relevante e ganhem maior influência na produtora de açúcar e etanol, segundo fontes próximas ao assunto ouvidas pela Bloomberg News.

A ideia envolve converter ao menos 45% da dívida em ações. Os credores poderiam chegar a deter até 70% das ações ordinárias, caso o preço das ações seja estimado em 40 centavos. O valor ainda não está definido; hoje as ações giram em torno de 50 centavos.

A medida reduziria a alavancagem para entre 3 e 3,5 vezes o EBITDA, frente 5,3 vezes atualmente. Também abriria caminho para separar as unidades de açúcar e etanol dos negócios de distribuição de combustíveis. A primeira teria oito anos para amortizar o principal; a segunda, cinco.

Detalhes da proposta

Os credores indicariam três dos sete membros do conselho, enquanto a Shell indicaria os outros quatro, segundo as fontes. A Raízen e a Cosan, que dividem o controle com a Shell, não comentaram oficialmente. A Shell não respondeu a solicitações. A informação foi antecipada por veículos locais e internacionais.

No mês passado, a Raízen fechou acordo para iniciar uma reestruturação extrajudicial de dívida de cerca de R$ 65 bilhões (US$ 12,6 bilhões). Credores que detêm 47% da dívida já haviam aceitado negociar, dando espaço para adesão de outros credores ao plano global.

A Shell já concordou em aportar R$ 3,5 bilhões na empresa. A Cosan permanece fora de negociações ativas com a petroleira, mas o fundador Rubens Ometto sinalizou aporte adicional de R$ 500 milhões na joint venture. Ometto também busca manter a presidência do conselho por tempo prolongado e defende a inclusão de uma cláusula de poison pill.

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