- Relato de falhas em relatório de saúde encomendado pela Deloitte, com citações acadêmicas inexistentes e substituições por outras falsas, revelando falhas de governança e de revisão.
- Dados apontam uso de IA no trabalho sem aprovação: 47% dos profissionais dizem usar IA sem autorização formal; 59% das empresas não possuem diretrizes claras para o uso de IA.
- IA evoluiu para sistemas agentivos (desde 2025), com capacidade de acessar dados, interagir com ferramentas e executar tarefas com autonomia crescente.
- Regulação em foco: o AI Act da União Europeia entrou em implementação; empresas que operam com interface com o mercado europeu precisam demonstrar rastreabilidade, governança e papel humano nas decisões.
- Quatro perguntas práticas de governança: quem tem autoridade explícita para barrar entregas de IA; o que não pode ser delegado a IA; onde a IA é usada sem aprovação; e como fica a responsabilidade em caso de erro relevante. Segundo o Sebrae, 72% das empresas brasileiras estão em estágio inicial de adoção de IA.
Em novembro de 2025, o The Independent revelou que um relatório de saúde encomendado pela Deloitte, no Canadá, continha referências acadêmicas inexistentes. Estudo citado por autores que nunca haviam escrito as obras. O documento foi revisado, substituindo citações falsas por outras igualmente falsas. O caso ganhou repercussão inclusive na Fortune.
Um mês antes, a Deloitte devolveu ao governo australiano A$ 440 mil por problema similar. Não é apenas o erro, mas a repetição. Na segunda revisão, ninguém percebeu que se corrigia uma alucinação com outra alucinação. Questiona-se: quem tinha autoridade para impedir que o material fosse entregue?
Essa falha de arquitetura organizacional ilustra o que ocorre quando organizações escalonam o uso de IA sem resolver questões de responsabilidade, controle e validação das entregas. O problema não é a falha tecnológica, e sim o papel da governança na prática.
O que a regulação já exige antes da lei brasileira
Segundo a regulação europeia, desde agosto de 2025 obrigações para modelos de propósito geral já estão em vigor e, em 2026, a aplicabilidade se amplia. Empresas com interfaces com o mercado europeu precisam demonstrar rastreabilidade, governança e clareza sobre o papel humano nas decisões mediadas por IA.
O episódio da Deloitte antecipa perguntas que reguladores e auditores vão fazer: onde estava o controle humano? Quem validou? Existe rastro? Quatro perguntas que a liderança precisa responder. Caso não haja respostas, o risco de falhas não é apenas reputacional, mas estrutural.
Principais perguntas para a governança de IA
1) Quem tem autoridade explícita para barrar uma entrega gerada por IA e é reconhecido pela equipe?
2) Quais aspectos da operação não podem ser delegados a sistemas, com lista concreta?
3) Onde a IA já é usada sem aprovação formal e há espaço para identificar isso?
4) Se uma entrega com IA causar erro relevante, o caminho de responsabilidade está claro na prática?
Se alguma pergunta não tiver resposta, o trabalho começa por aí. Segundo o Sebrae, 72% das empresas brasileiras ainda estão na fase inicial de adoção de IA, o que evidencia o desafio não é o acesso à tecnologia, mas a estrutura de governança.
O contexto brasileiro e o desafio de responsabilidade
A adoção não é impedimento, mas exige mecanismos de responsabilização. Mesmo com o avanço, a prática mostra que as organizações devem definir claramente quem responde por entregas geradas com IA e como monitorar o fluxo de produção. 2026 não é mais o ano para experimentar IA, e sim para estruturar a responsividade.
Iona Szkurnik, fundadora e CEO da Education Journey, é citada como referência, destacando a importância de educação corporativa com IA. A visão da autora não representa necessariamente a posição de todas as organizações, mas reforça o debate sobre governança e responsabilidade.
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