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Inquilinos sofrem com aluguel impulsionado por regras de imposto, aponta estudo

Estudo indica que o desconto do imposto sobre ganho de capital e a negative gearing elevam a alavancagem de investidores, puxando os preços das casas na Austrália

Australia’s capital gains tax discount and negative gearing rules have fuelled property investments and house prices rises, an e61 Institute report has found.
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  • Análise do instituto e61 aponta que o desconto do imposto sobre ganho de capital e as regras de negative gearing incentivam investimentos em imóveis, contribuindo para a alta dos preços e para a crise de acessibilidade.
  • Dos 900 mil investimentos estudados, 46 mil tiveram retorno econômico negativo, mas lucraram devido ao desconto de ganho de capital.
  • As regras fiscais reduziram a chance de um investimento imobiliário ser não lucrativo de 40% para 35% (queda de 5,1 pontos percentuais, ou 13%).
  • Maior endividamento eleva lucros e diminui a tributação efetiva sobre ganhos de capital, estimulando a alavancagem de propriedades.
  • O governo avalia mudanças no desconto (podendo cair para 33% para imóveis) e há possíveis limites para o número de imóveis que um investidor pode negativ gear; estudo também aponta viés de propriedade em relação a ocupação.

Australia vive crise de acessibilidade habitacional agravada por regras de imposto sobre ganhos de capital e aluguel de imóveis, aponta estudo do e61 Institute.

A análise mostra que o desconto no CGT aliado à regra de negative gearing criou um incentivo artificial para alavancar empréstimos contra imóveis de investimento, elevando a demanda e, potencialmente, os preços.

Entre 2007 e meados de 2025, o estudo acompanhou 900 mil investimentos. Desses, 46 mil foram economicamente não lucrativos, mas geraram retorno graças ao desconto de CGT.

Segundo os pesquisadores, as regras reduziram a probabilidade de lucro do investimento de 40% para 35%, uma queda de 5,1 pontos percentuais (13%). A diferença entre tributação de ganhos de ativos e deduções de juros alimenta esse viés.

O ponto central é que juros de empréstimos são integralmente dedutíveis, enquanto apenas 50% dos ganhos de capital são tributados em imóveis mantidos por mais de um ano. Essa assimetria favorece a alavancagem.

Com maior alavancagem, a rentabilidade aumenta mas o risco também. A equipe do e61 observa que a metodologia eleva o peso dos custos financeiros em relação aos ganhos de venda.

O estudo aponta que, para imóveis sem dívida, a tributação sobre retornos fica em cerca de 31%, caindo para 18,5% nos casos com alavancagem de 90%. Mesmo com lucros pré-impostos mais altos, a carga fiscal líquida cai.

Garvin, economista do instituto, afirma que esse “encargo” entre ganhos de ativos e deduções de passivos distorce o comportamento dos investidores e eleva a demanda por crédito. Em consequência, o preço da moradia sobe.

O relatório defende tratamento fiscal igual para juros de dívidas e ganhos de capital, o que reduziria o impulso à tomada de empréstimos para investir. Há ainda apoio a ajustes no desconto de CGT para imóveis.

Parlamentares, em Melbourne, avaliam mudanças indicadas pelo governo, com redução do desconto de CGT a 33% para investidores em imóveis, mantendo a taxa atual para ações. Também circulam propostas para limitar negative gearing.

Garvin ressalta que a discussão não é apenas sobre o peso no preço, mas sobre o desenho do desconto. Mudanças poderiam reduzir a influência da alavancagem no mercado imobiliário.

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